17.5.17

OS CAMINHOS DO DESTINO - PARTE XXVII




Quase nem jantara. Não conseguia pensar noutra coisa, que não na conversa dessa tarde. Há seis meses atrás quando saíra do hospital, era capaz de jurar, que não queria saber de homens nem de relacionamentos amorosos, nos próximos anos. Três meses depois, conheceu César e a menina. E naqueles três meses as barreiras foram caindo. E não podia ser. É verdade, que a simpatia dele, a gentileza com que a tratava, a confiança que punha nela, foi calando fundo no seu coração. Que já se surpreendera a pensar que pareciam uma família, e como seria bom se isso fosse realidade. Mas não sonhava que ele estivesse interessado nela. E francamente custava-lhe a crer, no contrário. Se era apaixonado pela mulher, e se o acidente fora pouco antes do Natal…
Não podia ser. O mais certo, era ter pensado, que dado o carinho que ela e a filha partilhavam, seria a pessoa certa para fazer o papel de mãe da menina.
Mas isso não chegava para um casamento feliz. E ela já tinha a sua quota de experiência, num casamento falhado.
Tão perdida estava nos seus pensamentos que se assustou com o toque do telemóvel. Era a mãe.
- Olá mãe. Aconteceu alguma coisa?
- Saudades, filha. Eu sei que estás a trabalhar há poucos meses, não terás férias este ano, mas não podias vir passar connosco um fim-de-semana?
- Não sei, mãe, talvez consiga ir uns dias em Agosto. Para a semana digo-te alguma coisa. Dá um beijo ao pai, por mim.
Desligou. Ainda tinha o aparelho na mão, quando tocou de novo. Nem queria acreditar. César? Nunca lhe ligara, sem ser quando estava com a menina.  Não atendeu. Falariam na Segunda-feira. Tinha que ordenar os seus pensamentos, analisar sentimentos. E depois? Dependendo do que decidisse teria que lhe contar quem ela era. Não podia, nem queria ter tal segredo a vida toda. Nunca seria feliz. Porque a vida havia de ser tão complicada? Porque tinha que arranjar trabalho exatamente naquela família? E porque é que ele havia de ser tão interessante? Talvez devesse despedir-se. Mas o pensamento de deixar Matilde, era insuportável. Era como se perdesse de novo o filho. Clara tinha razão. Ela bem que a avisara, que estava a transferir para Matilde, o amor que não pudera dar ao bebé.
Doía-lhe a cabeça de tanto pensar.




Mais logo estarei de volta se Deus quiser, e hoje mesmo visitarei as "vossas casas" 
Agradeço do coração, a todos os que tenham passado por aqui, nestes dias da minha ausência.

16 comentários:

Tintinaine disse...

Bom dia, Elvira! Cá a esperamos e dê corda nesta história que o pessoal está a perder a paciência com este "chove e não molha".

Isa Sá disse...

a passar para acompanhar a história!


Isabel Sá
Brilhos da Moda

✿ chica disse...

Vamos acompanhando e a curiosidade presente... Bom retorno! bjs, tudo de bom,chica

Roaquim Rosa disse...

Bom dia
uma coisa é certa.
Eu acredito mesmo no destino.
seja bem vinda.
JAFR

Bell disse...

Perdi algumas partes, mas estou sempre te lendo por aqui.

bjokas =)

Existe Sempre Um Lugar disse...

Boa tarde, lindo conto, cá para mim não ter um final como ela deseja.
AG

Os olhares da Gracinha! disse...

Mais uns momentos bem descritos!
Apareça quando puder ... Bj

Odete Ferreira disse...

Que há um manifesto interesse de César, já não restam dúvidas. Mas, neste ponto da narrativa, a sua narradora pode muito bem ir por vários caminhos. E se tudo aquilo em que matuta a protagonista, não passar de uma mera coincidência?
Esperemos...
Bjinho, Elvira :)

Rui disse...

Aproxima-se a altura do "grande dilema" ! ...
A conversa sobre quem ela é e do acidente automóvel de que acabou por resultar toda esta situação !...
Estou expectante ! :)

Abraço e bom regresso, Elvira.

Emília Pinto disse...

Olá Elvira. Já li o conto desde o inicio e, como sempre acontece, estou a gostar muito. Claro que os dois vão " juntar os trapinhos", como se costuma dizer; pode ser que haja algum probleminha, mas tudo se resolverá. Pelo menos é isso que espero, mas tu é que sabes. Amiga, espero que esteja tudo bem e, quando puderes aparece, sim? Um beijinho.
Emilia

Edumanes disse...

Beatriz, doía-lhe a cabeça de tanto pensar. E há que pensar antes de decidir, o que deve fazer, para não falhar. Mas se tiverem de ser um do outro, o destino os unirá!

Tenha uma boa noite amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Zé Povinho disse...

Segredos entre duas pessoas que se gostam são como uma bomba à espera de explodir a qualquer momento. Haja coragem...
Abraço do Zé

Cantinho da Gaiata disse...

Ai Elvira bem que podiam ter sido mais umas linhas de escrita, já estou em pulgas para saber o que vai acontecer.
Estas estórias são o meu momento de relax quando me deito, a mãe vê telenovelas e eu leio as tuas escritas....que belas.
Bjs

Gaja Maria disse...

Cá aguardamos o seu regresso, abraço

Pedro Coimbra disse...

Fico à espera do que vai acontecer quando ela contar toda a verdade.
Um abraço

Rosemildo Sales Furtado disse...

O amor é lindo! Gostando e aguardando os acontecimentos.

Abraços,

Furtado