14.5.17

OS CAMINHOS DO DESTINO - PARTE XXIV


Passou todo o dia a pensar nele. Havia pouco mais de dois meses que tinha começado a cuidar de Matilde. Cuidava dela, com todo o carinho, não só porque gostava muito de crianças, e tinha acabado de perder um filho, como porque desde que tivera a certeza de que a mãe dela morrera naquele fatal acidente provocado pelo marido, indiretamente se sentia culpada da orfandade da menina.
O pai, era um homem bonito, simpático, mas para ela era o patrão, e não podia pensar nele de outro modo.
Por outro lado, ela não pensava em qualquer homem como possível companheiro, a experiência com o casamento anterior, não lhe deixara desejos de repetir a dose. Tinha ficado vacinada.
Contudo sentia que havia qualquer coisa estranha entre ela e César. Ela não sabia exatamente o quê, mas sentia-o. Era como uma estranha energia que a  atraía para ele.  Talvez fosse a maneira como ele a olhava, como se houvesse uma dúvida permanente, entre a confiança com que tinha posto a sua casa e a sua filha, aos cuidados dela, e alguma coisa que ele temia, ou se recusava a aceitar. 
Como eram quase dez horas quando César se despediu da filha, nesse dia não houve passeio com a criança, tendo ficado a manhã confinada às habituais brincadeiras no jardim. Depois do almoço, e enquanto Matilde dormia a sesta telefonou à amiga.
Contou-lhe a novidade.
-Quer dizer que vais ficar aí três dias? Sem ires a casa?
-Não. Quando a Matilde acordar, depois do lanche, levo-a a passear, e vamos a casa. Preciso trazer roupas, e alguns artigos de higiene.
- Começas por levar algumas coisas e acabas por te mudar para aí.
- Não sejas tonta. Foi uma regra que aceitei, e que está no contrato.
- Não te amofines, estava a brincar. E ele? Tudo na mesma? Não arranjou namorada?
- Como queres que saiba? Sou apenas uma empregada.
- Uma empregada especial. Essa estória de te entregar a casa e a filha… será um teste?
- Já me estou a arrepender de te ter telefonado. Estás impossível hoje!
-Pronto, não digo mais nada. Mas posso pensar, não? Olha, vou fechar a loja uns dias em Agosto. Todos os anos nessa altura, é uma pasmaceira, ninguém compra nada, a loja só não leva o dia entregue às moscas, porque eu e o Nuno, estamos cá. Penso ir para Lagos. Olha, depois falamos, tenho agora aqui uma cliente.
-Vende muito. Adeus

10 comentários:

Isa Sá disse...

A passar por cá para acompanhar a história e desejar um bom domingo!


Isabel Sá
Brilhos da Moda

Roaquim Rosa disse...

Bom dia
continua o impasse,até para dar mais brilho á historia.
continuação de um bom domingo.
JAFR

✿ chica disse...

Acompanhando e gostando sempre...beijos,chica

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Bom dia Elvira!
A amiga está certa, aos poucos irá se mudar definitivamente par lá, rsrsrs.
Gostando muito, beijinhos e feliz domingo.

Os olhares da Gracinha! disse...

A pouco e pouco ... o desenrolar aumenta o interesse!!!
Bj

Edumanes disse...

Se Beatriz passou o dia a pensar em César. Algo mais além de como empregada sente pelo patrão como ela diz!

Tenha uma boa tarde de domingo amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Odete Ferreira disse...

A narradora, muito levemente, vai juntando alguns indícios para que, mais tarde, a atitude do patrão faça, então, todo o sentido.
Com curiosidade, acompanho a narrativa.
Bjo, Elvira :)

Emília Pinto disse...

Finalmente aqui cheguei, Elvira, embora tenha lido só parte do novo conto. Como deves imaginar, depois de uma longa ausência há sempre muito a fazer e, como, felizmente, os amigos são muitos, as visitas vão-se fazendo com alguma lentidão. Tenho a certeza que entendes e me perdoarás a demora; mesmo com attaso, tinha de vir aqui agradecer-te o carinho mostrado durante a minha ausência. Agradeço-te muito e desejo tudo de bom a ti e aos teus. Voltarei para me pôr a par da tua história. Beijinhos
Emilia

Pedro Coimbra disse...

Normalmente quem observa de fora vê muito mais e melhor.
Está aqui a prova.
Boa semana

Rosemildo Sales Furtado disse...

As coisas começam a mudar e, tudo indica que os sentimentos de ambos também. Continuo gostando e aguardando.

Abraços,

Furtado