11.5.17

OS CAMINHOS DO DESTINO - PARTE XXI





Fez o jantar enquanto Matilde dormia. Depois, da sesta, lancharam e durante mais de uma hora brincaram como se fossem duas crianças. À apanhada e às escondidas. Às seis horas, acabaram as brincadeiras, fez um sumo de fruta para a menina, que não quisera fruta ao lanche, deu-lhe banho, e estava a vestir-lhe o pijama quando Cesar chegou. Surpreendeu-se. Ainda não eram sete horas, e não ouvira o carro.
Abraçou e beijou a filha, ouviu o relato das brincadeiras que tinham tido, e depois disse-lhe:
- Agora vai brincar um pouquinho com os teus bonecos que o pai precisa falar com a Beatriz.
- Acabei mais cedo hoje o trabalho. Reitero os meus parabéns pelo trabalho que está a fazer com a minha filha. A Matilde, está mais alegre, deixou de ter pesadelos, e já não chora de noite, nem chama pela mãe.
- Não é minha intenção fazer com que esqueça a mãe.
- Acredito. 
-Peço-lhe que pense no que lhe disse, sobre ela precisar de estar com outras crianças. É muito importante para um correto desenvolvimento da sua personalidade.
-Se é melhor para ela, pode fazê-lo. Na verdade, ela já esteve num infantário. Minha mulher era professora, não podia cuidar dela, e nunca quis uma ama, pois também pensava que a menina precisava conviver com outras crianças. Mas quando ela morreu, a Matilde não entendeu a ausência da mãe, chamava por ela a toda a hora, só queria ir dormir, se a mãe lhe fosse contar a estória, fazia grandes birras, não queria ir à creche, tornou-se agressiva com as outras crianças. Estava desesperado, pedi ajuda à minha mãe, que se mudou para cá para me apoiar. E deixou o infantário. Mas um dia, quando for mais velha, e tiver superado completamente esta fase, vai voltar para lá.
Sentiu um aperto no peito. Adorava aquela menina. Não sabia se por se sentir indiretamente responsável pela sua orfandade, se porque transferiu para ela, o amor pelo filho que não chegou a nascer. Pensar que um dia, talvez não muito distante, se separaria dela, era algo insuportável.
César perscrutava o seu rosto. Viu a sombra que perpassava o olhar feminino, o rosto que empalidecia, os lábios trementes. O rosto dela, era como um espelho, onde se refletiam todas as emoções. Ele sabia como ela se tinha apegado à menina. E sabia porquê. Sabia muito mais dela, do que aquilo que ela poderia imaginar.
O silêncio que se seguiu, foi quebrado pela voz da menina:
- Bia, tenho fome!
- Vamos jantar, filha, - disse ele, pegando na menina ao colo. - Está na hora da Beatriz sair. A menos que queira jantar connosco claro.
- De modo algum. Preciso fazer umas compras- apressou-se a dizer.
Aproximou-se para beijar a menina, sentindo-se intimidada com a proximidade ao corpo masculino.


23 comentários:

Tintinaine disse...

Oh, diabo, por esta eu não esperava!
Se ele sabe quem ela é e andar a esconder isso, pode arranjar aqui um grande trinta e um e queimar o estrugido que temos ao lume!
Veremos como a contista desenrola o novelo.

Roaquim Rosa disse...

Bom dia.
É sempre bom sabermos quem metemos em casa e ele com certeza quis saber o passado de Beatriz.
haver vamos no que vai dar !!!
JAFR

Os olhares da Gracinha! disse...

Vamos ver no que "isto" vai dar!!! Bj

Isa Sá disse...

A passar por cá para acompanhar a história...

Isabel Sá
Brilhos da Moda

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Está a ficar interessante e vamos a ver como é que isto vai acabar?
Um abraço e boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
Livros-Autografados

✿ chica disse...

Situações de constrangimento, ela sabendo ou imaginando que ele de tudo sabe ... Tá ótimo! bjs, chica

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...


Está cada vez melhor, então ele já sabe tudo de Beatriz, mas tem que saber, não é?
Afinal ela está a cuidar de sua filha.
Muito bom.
Até amanhã querida Elvira, beijinhos.

Prata da casa disse...

Sendo um pai tão preocupado com o bem- estar da filha é natural que se tenha informado bem sobre quem metia em casa.
Bjn
Márcia

Diana Fonseca disse...

Estou muito curiosa com os desenvolvimentos. Já estou a seguir a história.

AvoGi disse...

É natural ter feito um estudo de mercado.

Kis :=}

Rosemildo Sales Furtado disse...

Oi Elvira! Estou chegando agora e, pelo que acabo de ler, trata-se de uma bela história/estória. Vou começar a ler da primeira parte para poder entender melhor a parte atual.

Abraços,

Furtado

Existe Sempre Um Lugar disse...

Boa tarde, hummmm....a Beatriz não separar-se da Matilde, não vai não, vamos esperar o desenvolvimento, para ver se estou certo no pensamento.
AG

Cantinho da Gaiata disse...

Ooohhhhhhh não estava á espera desta,porque será que ele não lhe disse nada?
Fico ansiosa para ver o andar da carruagem.
Beijinho amiga Elvira.

Silenciosamente ouvindo... disse...


Vai-se aproximando, da mudança na história?
Parece...
Bom fim de semana.
Bjs.
Irene Alves

António Querido disse...

Passei, li e gostei, prometo voltar para esta história acompanhar!

Com o meu abraço.

Rui disse...

Fiquei curioso com o : "sabia muito mais dela do que aquilo que ela poderia imaginar" .
Será que sabe que era ela que ia no outro carro acidentado ?...
E será que sabe que também ela sabe quem é ele ?...
Fico na expectativa . :))

Abraço

Gaja Maria disse...

Se ele sabe tudo sobre a Beatriz, como consegue esquecer e ultrapassar? Só pode ser um homem extraordinário :)
Abraço Elvira

manuela barroso disse...

Não seguindo o desenrolar da narrativa, permito-me sempre que a leio, de admirar a vivacidade do seu estilo literário. Poesia e agora um romance.
Parabéns, Elvira
beijinho

Odete Ferreira disse...

Mais um coelho que a Elvira tirou da cartola! Boa!
:)

Edumanes disse...

Será que sabe? Ou pensa que sabe mais sobre Beatriz do aquilo que ela pensa que ele sabe? Para disso ficar sabendo, voltarei para ler os próximos capítulos!

Tenha uma boa noite amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Pedro Coimbra disse...

A presença da criança vai ser essencial para vencer a timidez dos dois.
Abraço, bfds

Rosemildo Sales Furtado disse...

Olá Elvira! Mais uma vez aqui passando para dizer que estou gostando da estória, e que já li todos capítulos, carimbando-os um por um.

Abraços,

Furtado

aluap Al disse...

Por esta eu não esperava!
Gosto dos seus contos exactamente pelas surpresas que eles nos oferecem.

Um abraço amigo.