5.5.17

OS CAMINHOS DO DESTINO - PARTE XVI



Três semanas depois, Beatriz ganhara a confiança e o carinho da menina, e cada dia estavam mais unidas. Também ganhara a confiança de Berta, que a tratava com simpatia e amabilidade. Ao contrário do que pensara, quando soube que Berta estava há mais de trinta anos ao serviço da família, esta não vivia lá em casa. Era casada, tinha filhos e netos. Entrava todos os dias às nove horas e saía a meio da tarde, deixando já o jantar pronto. Às sextas-feiras, vinham duas empregadas de uma empresa de limpezas, que faziam uma limpeza geral á casa. Durante o tempo que Matilde fazia a sesta, Beatriz entretinha-se cuidando de pequenas coisas da casa, como se fosse a sua casa. Não que tivesse que o fazer, mas porque não gostava de estar parada, e cuidar de uma casa fora coisa que sempre fizera desde que casara. Também decidira diversificar a ementa. Para isso perguntara à cozinheira, quem decidia as refeições. Ela informara que quando a senhora era viva, decidia todos os dias o que seriam as refeições. Depois que morrera, o “menino” não se preocupava com isso e ela cozinhava dentro daquilo que sabia que ele gostava.
Beatriz aproveitou para saber do que morrera a senhora e ficou pálida quando Berta lhe contou que fora num acidente.
Sentiu um baque no peito. No dia da entrevista, César dissera que a mulher morrera havia pouco tempo. No acidente em que estivera envolvida, o ocupante do outro carro era uma mulher, e morrera, deixando órfã, um criança de poucos anos.  Não podia ser. O destino não ia ser tão cruel com ela, que a colocasse exatamente na casa da mulher a quem causaram a morte.
Não podia ficar naquela dúvida. Tinha que saber. Apavorada perguntou, quando e onde fora o acidente. E a resposta foi exatamente aquela que o seu coração já adivinhara. Sem se poder conter, deixou que as lágrimas deslizassem pela face pálida.
Berta ficou aflita. Não entendia a reação da jovem, por uma pessoa que nem conhecera. Sabia que havia gente muito sensível, e Beatriz devia ser uma dessas pessoas de extrema sensibilidade. Apressou-se a fazer-lhe um chá de tília, que ela bebeu tentando acalmar-se.
-Bia, - chamou Matilde que entretanto acordara.
Levantou-se rapidamente, passou o lenço pelos olhos e dirigiu-se ao quarto da menina. Agora sentia-se ainda mais responsável por ela.


19 comentários:

AvoGi disse...

Ui, por esta não esperava. Que situação mais ingrata!
Kis :=}

lis disse...

O destino nos coloca a prova,de vez em quando.
E,ela terá oportunidade de se redimir cobrindo a pequena orfã de cuidados.
Resta saber como reagirá o pai ao tomar ciencia do fato.
um abraço Elvira

Roaquim Rosa disse...

Bom dia
acho que ficamos todos em " pulgas " para saber a continuação desta historia .
até amanhã !!!
JAFR

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

As partidas que o destino nos prega.
Um abraço e bom fim-de-semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
Livros-Autografados

António Querido disse...

BOM DIA! Cheguei,li e gostei, BOM FIM DE SEMANA!
Deixo o meu abraço.

✿ chica disse...

Sensacional isso! Eu estou adorando cada vez mais e muito curiosa! bjs, chica

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Por essa eu não esperava, querida Elvira!
Agora estou ainda mais curiosa para o desvendar desta linda estoria que sei é de muito amor.
Parabéns amiga, beijinhos no coração.

Edumanes disse...

Coisas do destino que não se conseguem evitar. Seja o mundo grande ou pequenino. Nascemos para amar e não odiar! Mas, a ganância não deixa que por vezes tal aconteça! Não se consegue dar vida a quem morreu. Que sua presença daquela casa devolva a felicidade a quem ente queridos perdeu!

Tenha uma boa tarde amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Tintinaine disse...

Dizem os comentadores que são coisas do destino. Pois eu acho que são coisas da Elvira, porque é ela que cria o enredo em que se desenrola a história que nos conta.
Bom fim de semana para todos que passem por aqui!!!

Os olhares da Gracinha! disse...

Partida do destino!!!
Bj e venha a Coimbra para que leve lembranças lindas!
Tem comboio à porta!

Odete Ferreira disse...

E esta tua habilidade de construir tramas, acabou de ser, uma vez mais, comprovada!
Seguindo, com muito interesse!
Bjnho, Elvira

Rui disse...

Ora lá está ! ... Agora estão as cartas todas (ou quase) na mesa ! :)

Abraço :)

Anete disse...

De cá, lendo o capítulo e me atualizando melhor com "Os Caminhos do Destino"... Os últimos dias foram bastante movimentados.

Sim, amanhã será ÓTIMO, com certeza!... Pena que a Ana não poderá ir...
Bjs e uma boa noite...

Minhas Pinturas disse...


Que situação difícil para todos os personagens! Vamos ver como a escritora vai decidir a questão, tomara que o amor vença os rancores.
beijinhos, Léah

Cantinho da Gaiata disse...

Não estava a contar com esta, Elvira.
Coitada, vai-se sentir culpada por aquela criança ser órfã.
Tomara que esta história tenha um desenrolar satisfatório.
Bj

aluap Al disse...

E quando ele souber, como reagirá?
Ainda não sabemos como era a relação dele com a esposa.
Boa noite Elvira.

Zé Povinho disse...

As voltas da vida...
Abraço do Zé

Gaja Maria disse...

A vida prega cada partida....

Rosemildo Sales Furtado disse...

Mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer. Já que ela se sente culpada, cuidar bem da menina será uma forma de compensar a perda da mãe. Estou gostando da estória.

Abraços,

Furtado