2.5.17

OS CAMINHOS DO DESTINO - PARTE XIII





Enquanto esperava que as horas passassem, a jovem entrou numa pastelaria, pediu ao empregado um café e um copo de água e ligou a Clara, para lhe contar o que lhe tinha acontecido.
- E agora vou lá antes do almoço, assinar o contrato e depois vou com ele, a sua casa, para conhecer a menina. Começo a trabalhar amanhã.
- Tens a certeza que é uma pessoa séria, Beatriz? Ir assim com ele, para uma casa que nem sabes onde fica, não me parece bem, deixa-me preocupada. Sabes, que há muita malandragem por este mundo de Cristo. Não fico descansada. Dá-me o nome da empresa e o endereço.
- Lá estás tu a desconfiar de toda a gente. Não tinha cara de malandro…
- Se os malandros se conhecessem pela cara, estava o mundo livre deles. Tu és demasiado confiante, estiveste sempre protegida, primeiro pelos teus pais, depois pelo casamento. Não sabes nada do mundo, nem da maldade dos homens. 
- Não exageres. Não sou cega, nem surda, vejo as notícias todos os dias.
- De qualquer modo dá-me nomes e endereços. Quero saber a quem me dirigir se até à noite não me ligares.
Esperou que o empregado se retirasse e então deu-lhe o nome e a morada da empresa. Depois…
- Ligo-te à tarde e conto-te tudo.
-Fico à espera.
Desligou. Bebeu o café e olhou o relógio. Onze e trinta. Não ia ficar no café, até quase à uma. Dirigiu-se ao balcão, pagou e saiu para a rua.
O sol brilhava com toda a intensidade do mês de Maio. Estava muito calor. Ela desejaria ter uma roupa mais leve, mas não ousaria apresentar-se numa entrevista de emprego vestida de um modo menos formal. Caminhou pela rua, sem destino observando as pessoas que passavam por ela apressadas. Um dos saltos dos sapatos prendeu-se entre duas pedras da bonita calçada portuguesa. Conseguiu soltar o sapato e prosseguiu mais devagar, sabendo que os elegantes sapatos de salto agulha, não eram de modo nenhum os mais adequados para aquele tipo de pavimento. Ao fundo da rua, em frente de uma escola, encontrou uma pequena praceta, com alguns canteiros floridos e uns bonitos bancos de ferro forjado. Sentou-se um pouco. Naquele momento a sineta da escola fez-se ouvir, e as crianças saíram correndo e gritando, provocando uma alegre algazarra. Ficou alguns momentos observando-os, pensando com tristeza, que nunca iria ver o filho assim. Uma lágrima rolou pela sua face. Limpou-a com raiva e retomou o caminho do escritório.


15 comentários:

Roaquim Rosa disse...

Bom dia
sempre na espectativa de melhores dias !!
JAFR

✿ chica disse...

Acompanhando o conto que está lindo e instigante! bjs, chica

Tintinaine disse...

Pensar em coisas tristes não ajuda nada. Vamos em frente!

Prata da casa disse...

A acompanhar a história.
Bjn
Márcia

Gaja Maria disse...

À espera do que se segue :)

Luiza Maciel Nogueira disse...

Quando a lágrima rola na face e os sentimentos afloram as dores.

Um beijo!

Odete Ferreira disse...

Bons elementos de conjugação espácio-temporais a fazer emergir o sentimento de perda...
Bjinho, Elvira :)

Silenciosamente ouvindo... disse...


Vamos lá ver o que vai encontrar nessa entrevista.

Segue-se em próximo post.

Bjs.

Irene Alves

Os olhares da Gracinha! disse...

É natural que se sinta assim mas aventurar_se pode trazer dissabores! Bj

Edumanes disse...

Retomou a caminho do escritório, para assinar o contrato. A sua amiga Clara ficou preocupado. Se calhar esse encontro ainda vai dar em casório?

Tenha uma boa tarde amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

AvoGi disse...

A ver a ver a há ainda indigo para nascer...

Kis :=}

AvoGi disse...

"algum filho" digo

Cantinho da Gaiata disse...

Estou gostando, espero que não seja malandreco o rapaz.
Bj

Existe Sempre Um Lugar disse...

Olá, sua criatividade é o máximo, consegue cativar com as lindas históricos e criar expectativas.
Continuação de boa semana,
AG

Rosemildo Sales Furtado disse...

Linda e inigualável a dedicação da Clara. Acompanhando e aguardando os acontecimentos.

Abraços,

Furtado