27.4.17

OS CAMINHOS DO DESTINO - PARTE X



Dez dias se passaram, desde que Beatriz chegou à casa paterna. Com a mãe se abriu em confidências, e dela recebeu todo o consolo que só uma mãe consegue dar.
Passeou pela cidade, fortaleceu corpo e alma passeando pela praia, semi-deserta, recebendo a suave carícia do sol.
Recolheu-se em oração à Nossa Senhora da Piedade, de quem era devota. Não saiu uma única noite, preferindo, conversar com os pais, ler um livro, ou falar com Clara via telefone.
Naquela tarde, ela contou aos pais, que chegara a hora de voltar para a sua casa.
- Não sei porque hás-de ir viver sozinha em Lisboa. Aqui estavas perto de nós, qualquer coisa que precisasses, sempre te podíamos ajudar.
- Eu sei mãe, e agradeço. Mas lá tenho a minha casa. E muito mais hipóteses de arranjar um emprego, do que aqui, que bem sabes, só há trabalho com fartura de verão. Na época baixa as pessoas também comem. Isto na restauração e turismo. Porque em escritórios, só entra alguém novo quando um empregado se reforma ou morre. Não te aflijas. Agora será diferente. Virei mais vezes.
- E quando vais?
- Não sei. Vou agora na camioneta das três, à estação, tentar comprar bilhetes para amanhã, ou para depois dependendo de haver ou não bilhetes. Depois, atravesso a ponte da marina, venho pela avenida e vou à igreja. Só volto na camioneta das sete.
Saiu e dirigiu-se à paragem. Não teve que esperar muito, até à chegada da camioneta que a levou à estação, onde adquiriu bilhete para o Alfa do dia seguinte. Tinha que apanhar o comboio regional às catorze e dezoito e sair em Tunes, onde apanharia então o Alfa com destino ao Porto, que chegaria a  Lisboa, às dezoito horas.
Guardou o bilhete, e seguiu a pé. Deu uma volta pela marina, atravessou a ponte levadiça, e seguiu pela Avenida dos Descobrimentos, junto à muralha do canal, admirando um ou outro veleiro, que nele navegava. Embora Fevereiro estivesse a começar, os dias estavam solarengos, a temperatura amena, e já se viam alguns turistas. Também já estavam algumas tendas brancas, na avenida.  De verão são imensas e vendem os mais diversos artigos, de chapéus a toalhas, de roupas e malas, de bijuteria a óculos do sol. Comprou um colar, e por fim chegou à Praça do Infante.
Entrou na igreja, aquela hora deserta, e orou com fervor. Acendeu uma vela, pedindo paz para a alma do marido e persignando-se abandonou a Igreja.
Decidiu ir lanchar à Pastelaria Gombá. O bolo de café, especialidade da casa, era a sua perdição e desde que partira há três anos, nunca mais o saboreara.



17 comentários:

Roaquim Rosa disse...

bom dia
nova vida lhe espera com certeza.
JAFR

Isa Sá disse...

A passar por cá para acompanhar a história.

Isabel Sá
Brilhos da Moda

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Continuo a acompanhar com interesse esta bela história.
Um abraço e continuação de boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
Livros-Autografados

Tintinaine disse...

Eu ando por aqui, como todos os outros, e não vim ver a bola!

✿ chica disse...

Muito0
bom e acompanhando, esperando mais e mais sempre! Lindo dia! bjs, chica

Prata da casa disse...

Continua a cativar-me esta história.
Bjn
Márcia

Cantinho da Gaiata disse...

Continuando a gostar da história, está melhor.
Bj

Bell disse...

Vamos esperar, tomara que tudo mude e a alegria volte....

bjokas =)

Edumanes disse...

Beatriz passeou pela cidade,
para matar saudades do tempo ido
e eu passando por aqui esta tarde
para ler o que ainda não tinha lido!

Tenha uma boa tarde amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

lis disse...

Oi Elvira
li em alguma postagem que estaria de férias por um tempinho e demorei voltar tu voltastes com tudo rs e nao pude acompanhar a saga'os caminhos do Destino'.
Vou tentar seguir da parte X mesmo.
Li o diário de Beatriz em visita a casa da mãe.Depois volto pra conhece-la mais nos capítulos anteriores.
Um abraço

Odete Ferreira disse...

Se voltar a Lagos, hei de ir a esta pastelaria!
Continuo a gostar.
Bjinho :)

Zilani Célia disse...

OI ELVIRA!
LI ESTE CAPÍTULO HOJE E RESOLVI COMENTAR PORQUE TENHO ANDADO CORRENDO. ESTES DIAS ESTIVE AQUI E COMECEI A LER, PENSANDO EM VOLTAR E CONTINUAR ATÉ ME ATUALIZAR SÓ QUE NÃO PUDE VOLTAR, POR ISSO VOU CONTINUAR ACOMPANHANDO E LENDO CAPÍTULOS ANTERIORES, AO MESMO TEMPO.
UM GRANDE ABRAÇO AMIGA ESTOU GOSTANDO JÁ.
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Pedro Coimbra disse...

Na próxima semana dificilmente haverá blogue e muito dificilmente por aqui passarei.
Bfds

Os olhares da Gracinha! disse...

Momentos do dia a dia descritos com entusiasmo e proporcionando belo momento de leitura! Bj

Minhas Pinturas disse...

Muito boa historia, fico tão ansiosa pelo correr da mesma.Que boa escritora você é, parabéns amiga.
beijinhos, Léah

aluap Al disse...

Elvira, fiquei de cá a salivar.
A minha avó fazia um bolo de café num tabuleiro e não na tradicional forma de bolos. Um bolo rectangular, imagine!

Rosemildo Sales Furtado disse...

A reconciliação com os pais foi alcançada, só lhe resta agora é partir para os altos e baixos da vida. Continuo gostando.

Abraços,

Furtado