24.4.17

OS CAMINHOS DO DESTINO - PARTE VIII






Uma semana depois, Beatriz encontra-se no quarto. Em cima da cama tem uma mala de viagem aberta onde guarda algumas roupas. Durante aquela semana, 
o seu rosto ganhou cor e um aspeto mais saudável. Foi uma semana complicada, entre idas ao banco, às finanças, ao médico e à companhia de seguros, em que se fartou de preencher papéis, mudar o registo da água, luz, gás. E por fim a muito dolorosa ida ao cemitério.
Agora tudo tratado, preparava-se para ir passar uns dias a Lagos com os pais. Recuperar forças e coragem para enfrentar a vida, procurar um emprego, que as poupanças no banco não eram muito grandes, e se bem que não pagava renda de casa, havia todas as outras despesas inerentes à manutenção da mesma, sem falar na alimentação.
Acabou de encher a mala. Da gaveta de mesa-de-cabeceira, retirou a primeira página de um jornal, onde se viam dois carros totalmente destruídos, guardou-a por cima da roupa e fechou a mala. Olhou para o relógio. O intercidades com destino a Faro, saía da gare do Oriente, às dez e dois. Eram nove e um quarto. Ia chamar um táxi. Preferia ir mais cedo do que se atrasar no trânsito e não chegar a horas. Verificou mais uma vez a mala de mão.  Não esquecia  de nada. Desligou as torneiras do gás, e o contador da água, mas não o contador da luz, porque tinha carne e peixe no congelador, tinha que deixá-lo ligado. Telefonou para a central a pedir um táxi, pegou na mala de viagem e na mala de mão e finalmente saiu, para esperar o carro na rua.
Chegou à estação às nove e cinquenta. O comboio já lá estava . Procurou a carruagem a que pertencia o bilhete comprado no dia anterior pela internet, e ocupou o seu lugar deixando a mala de viagem ao seu lado, pois o esforço de colocá-la no lugar correspondente na prateleira superior do comboio, podia ser demasiado perigoso, para a sua recente cirurgia.
Entreteve-se com o movimento dos restantes passageiros que iam entrando, até que o comboio deu sinal de partida. A carruagem tinha bastantes lugares vagos, mas provavelmente ainda iria encher pois efetuava várias paragens. E embora o calendário mostrasse que estavam no final de Janeiro, o tempo estava agradável e os comboios para o Algarve costumam lotar em qualquer época do ano.
Pouco depois o revisor avisou-a, que tinha que sair em Tunes e apanhar a ligação do regional para Lagos.
Estava nervosa. Há quase três anos, que não via os pais. E apesar do que a mãe lhe tinha dito, ela continuava a temer a maneira como seria recebida pelo pai.


Amanhã como já devem calcular, não haverá esta estória, pois a história do dia merece outra postagem. E ela cá estará.




14 comentários:

Tintinaine disse...

Cheguei cedo e acho que fui o primeiro a ler o novo capítulo.
Uma curiosidade - as histórias da Elvira tem uma ligação muito forte a Lagos. Porque será, penso eu!

Isa Sá disse...

A passar por cá para acompanhar a história!


Isabel Sá
Brilhos da Moda

Os olhares da Gracinha! disse...

Esta parte está lida ... amanhã irei ler a especial!!!bj

Zé Povinho disse...

A vida continua e a família pode agora ser um bom apoio...
Abraço do Zé

António Querido disse...

Amanhã é para pegar na bandeirinha, nos cravos e ir para a rua festejar o fim da ditadura e abraçar a Liberdade!

PS: Faça o teste, como lhe pede o "Figueira Minha"! Abraço.

VIVA O 25 DE ABRIL SEMPRE.

✿ chica disse...

Riqueza de detalhes e beleza sempre aqui! Gostando de ler! bjs, chica, linda semana!

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Continuo a acompanhar e a gostar da história.
Um abraço e boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
Livros-Autografados

Jaime Portela disse...

Mais uma história muito bem contada, com uma narrativa muito agradável à leitura.
Boa semana, amiga Elvira.
Beijo.

Edumanes disse...

Fico aqui esperando para depois de amanhã. Já que amanhã a história será outra? Para ficar sabendo como foi a viagem de Beatriz para Lagos, e como terá sido ela recebida. Penso que tanto pelo pai como pela mãe será recebida com amor e carinho!

Tenha uma boa tarde de segunda-feira amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

AvoGi disse...

Ui, tou desejando de saber qual a reacção do pai
Kis :=}

Cantinho da Gaiata disse...

Estou curiosa como será que o Pai a vai receber, para mim, de braços abertos, oxalá não me engane.
Beijinho grande e cá estarei para ver o post de amanhã.

Anete disse...

Difícil encontro, mas, vencido o "enigma da chegada", tudo ficará tranquilo.
Uma boa terça-feira, Elvira.
Abçs

Odete Ferreira disse...

Leitura em dia.
Sempre com arte para o enredo das histórias. Parabéns!
Bjinho :)

Rosemildo Sales Furtado disse...

Quem morre de véspera é peru. Por que martirizar-se pensando num mau recebimento por parte do pai? Aguardemos os acontecimentos.

Abraços,

Furtado