21.4.17

OS CAMINHOS DO DESTINO - PARTE V


Dormiu várias horas seguidas. Acordou com o toque do telefone.
Acendeu a luz e atendeu. Era Clara para saber como ela estava, e se precisava de alguma coisa. Acabaram combinando a hora para se encontrarem na manhã seguinte.
Clara era uma boa amiga. Era da sua terra, tinham sido amigas desde crianças. Depois o pai da jovem, fora trabalhar para Lisboa. A princípio ia todas as semanas ao Algarve. Depois arranjou uma casa na margem sul e a família mudou-se. Porém as duas jovens nunca perderam o contacto. Já adolescentes chegavam a trocar as férias. Clara ia passar duas semanas à casa de Beatriz, e na volta vinham as duas, para que a última passasse o resto do mês em Almada na casa da amiga.
Beatriz, não tinha chegado a conhecer os sogros. Eles já tinham morrido, quando conheceu Jorge. Segundo ele, o pai morrera de ataque cardíaco, a mãe de desgosto, pela perda do companheiro de toda a vida.
Já era noite. Tinha que fechar as persianas. Foi até à janela. Lá fora o céu estava estrelado. Havia poucas pessoas na rua. Quase todas jovens. Fechou a persiana e foi fazer o mesmo nas outras divisões.
Voltou a percorrer a casa. Como se não soubesse bem o que fazia, ou o que fazer. Pensou ligar para os pais. Será que eles tinham sabido da sua situação? Eles não lhe tinham perdoado, o facto de ter fugido com o namorado. O pai, homem rude e de princípios rígidos chegara mesmo a dizer que para ele a filha morrera.
Sem forças para contrariar o marido a mãe limitara-se a chorar.
Não vieram ao casamento, apesar de os ter convidado, mas ainda assim ela mandara-lhe a fotografia do casamento na igreja e o número de telefone.
Algum tempo depois a mãe ligou-lhe. Sem o marido saber. E foi assim nos últimos tempos. Quando a saudade apertava e a mãe estava só em casa, ligava para a filha.
Beatriz nunca o fazia. Tinha receio de provocar a ira do pai.
Se a mãe tinha ligado nos últimos tempos, ela não sabia. Tinha saudades deles. Queria contar o que se tinha passado. Receber o carinho e apoio deles. Mas receava a intransigência do pai.
Era melhor esperar pelo dia seguinte. Aconselhar-se com a amiga.


17 comentários:

Roaquim Rosa disse...

Bom dia
que ansiedade !!!
JAFR

Prata da casa disse...

Estou a gostar e a acompanhar a história.
Bjn
Márcia

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Continuo a acompanhar com bastante interesse.
Um abraço e bom fim-de-semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
Livros-Autografados

✿ chica disse...

Pobre Beatriz, uma situação triste está vivendo! Tomara tenha coragem de ir até os pais e tomara seja bem recebida.Precisa de um abraço! bjs, chica

António Querido disse...

Se ela precisar de ajuda psicológica disponha!
Estou a gostar.
Abraço

Socorro Melo disse...

Olá, Elvira!

Uma experiência e tanto, essa de Beatriz. Espero que ela tenha coragem de enfrentar o pai, e que seja bem sucedida, pois, uma situação dessas só a família pode dar melhor apoio.

Anete disse...

Estou me sintonizando com o seu novo conto, Elvira.
Com o passar do tempo e com sabedoria tudo ficará em harmonia!
Bom fim de semana. Bj

Isa Sá disse...

A passar por cá para acompanha a história e desejar um bom fim de semana!

Isabel Sá
Brilhos da Moda

AvoGi disse...

Cenas de um quotidiano ainda presente..
Kis :=}

Edumanes disse...

Não guardes para amanhã o que podes fazer hoje! Será melhor Beatriz contar aos seus pais o que com ela se passou, de certeza se ela precisar de ajuda não lhe irão dizer que não!

Tenha uma boa tarde amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Rui disse...

Já deu para saber muito do que estava para trás e perceber perfeitamente a situação, embora só tivesse passado um dia !
Aguardemos o que irá acontecer ! ... mas está muito interessante ! :)

Abraço

Odete Ferreira disse...

Não deve ser nada fácil enfrentar tantos problemas sem apoio de retaguarda...
Vejamos qual vai ser a próxima etapa.
Bjinho, Elvia

Os olhares da Gracinha! disse...

Momentos de um quotidiano ... igual a muitos de nós! Bj

Cantinho da Gaiata disse...

Acredito que ainda vão fazer as pazes, apesar do Pai ser rude e de princípios rígidos, vai-se render a esta desgraça da filha
Beijo amigo Elvira.

lua singular disse...

Oi Elvira
A gente tem que sofrer para aprender. Mas o pai um dia irá perdoá-la, com certeza.
Seguindo...
Beijos
Lua Singular

aluap Al disse...

Até aqui a história não é muito triste, isto porque a Beatriz não é a mãe do Jorge, isto é, não vai morrer de desgosto, pela perda do marido.

Rosemildo Sales Furtado disse...

Eu, particularmente, não acredito na indiferença do pai, com certeza ele atenderá aos apelos do coração e dará todo apoio a filha.

Abraços,

Furtado