20.4.17

OS CAMINHOS DO DESTINO - PARTE IV





Casaram três meses depois. E ficaram a viver  naquele apartamento, que ele tinha herdado dos pais, e que tinha sido remodelado há pouco tempo, pois que pensava vendê-lo antes de a conhecer.
Pouco tempo depois do casamento, já Beatriz se dava conta que o marido, estava mais para sapo do que para príncipe. Jorge tinha tanto de sedutor como de imaturo e irresponsável. E as discussões começaram. Ao fim de dois anos, saturada e convencida, que o marido nunca deixaria de ser um garoto mimado, ela começava a ponderar a hipótese de divórcio, mas nessa altura descobriu que estava grávida e decidiu esperar até a criança nascer. Quem sabe a paternidade fazia de Jorge um homem mais responsável, na vida pessoal, já que profissionalmente parecia outro homem.
Três semanas antes, o marido insistira para que o acompanhasse à festa anual da empresa. Sem muita vontade, e para não arranjar outra briga, ela acompanhou-o. Porém durante a festa, ele bebeu demais, e mesmo na sua presença, não se coibiu de galantear outras mulheres. Magoada, Beatriz pediu para regressarem a casa. Alegou que não se sentia muito bem. Jorge abandonou a festa de má vontade, e mal entraram no automóvel, começou a discussão.
Ela não deu resposta, e isso em vez de o acalmar, exasperou-o.
Não se lembra, de outra coisa depois disso. Apenas dum enorme estrondo, como se um trovão rebentasse sobre a sua cabeça. E mergulhou na escuridão.
Depois só recorda, a voz de Clara, muito distante, conversando com ela, qualquer coisa que não entendia. Com esforço abriu os olhos e a amiga, imediatamente tocou a campainha, a chamar a enfermeira.
Mais tarde veio o médico. Só nessa altura, Beatriz ficou sabendo que o marido chegara ao hospital já sem vida. E que ela fizera uma rotura do baço, tivera que ser operada, tinha várias feridas, perdera muito sangue, e apesar de todos os esforços médicos, fora impossível salvar o bebé. Estivera dezasseis dias em coma.
Levantou-se. Guardou o pote das bolachas, lavou a chávena, e foi à casa de banho, onde lavou o rosto. Olhou-se no espelho. Parecia ter envelhecido dez anos.
Abriu a única porta que se mantinha fechada e acendeu a luz. Era um quarto de bebé, completamente decorado e pronto para receber um bebé que já não ia chegar. Sentia-se perdida. Tinha decorado aquele quarto com tanto amor. Fechou a porta com raiva. Revoltada com a vida, e as suas partidas.



Estou de volta. Agradeço a todos os amigos que passaram por aqui e comentaram durante os 15 dias que eu estive fora. Bem hajam amigos.
Hoje mesmo retomarei as visitas às vossas "casas".
Esta estória, não começou muito bem. Mas às vezes os maus começos dão ótimos fins. Será o caso desta estória?


18 comentários:

Roaquim Rosa disse...

Bom dia
para já só existe angustia e desespero na protagonista, mas claro que esperamos melhores dias !!!
JAFR

Isa Sá disse...

A passar por cá para acompanhar a história...


Isabel Sá
Brilhos da Moda

Tintinaine disse...

Tenho fé que sairá daqui uma bela história. Só é preciso paciência para que o novelo (ou novela) se desenrole.

Edumanes disse...

Mais vale perder um minuto na vida. Do que perder a vida num minuto! Se o Jorge, marido de Beatriz, na festa menos tivesse bebido, não teria mergulhado no escuro?

Tenha um bom dia amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

✿ chica disse...

Que bom te ver voltando! E a história, começou triste, tantos momentos de dor...mas vamos esperar...Estou gostando! bjs, chica

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Bom dia cara amiga!
Seja bem vinda e tenho certeza que a estória será maravilhosa, como sempre, beijinhos no coração.

AvoGi disse...

Estou aqui para ler até ao final, seja ele qual for
É um prazer
Kis :=}

Os olhares da Gracinha! disse...

por certo ... o melhor está para acontecer!!!bj

AC disse...

A Elvira, no desenvolvimento destas histórias, sente-se como peixe na água: prepara o enredo, dá-lhe corpo, joga com a curiosidade do leitor, amarra-o à narrativa.
Venha mais, Elvira!

Abraço

Prata da casa disse...

Um começo bastante atribulado, mas depois da tempestade vem a bonança ( espero).
Bjn
Márcia

Gaja Maria disse...

Ficou sem chão de repente, mas acredito que tudo vai mudar :)

Cantinho da Gaiata disse...

Por favor Elvira, reserve um final feliz, eu quero é ela merece.
Beijinho grande.

Pedro Coimbra disse...

Desta não estava à espera.
Seja bem regressada, bfds

São disse...

Bem regressada seja.

Também estive quinze dias fora , rrss

Beijinhos e bom fim de semana

Odete Ferreira disse...

A tua ausência foi apenas física; as postagens diárias (li tudo) faziam-te presente; eis a grande vantagem deste mundo. Apraz-me saber que já cá estás, também fisicamente, e bem!
Esta história tem todos os ingredientes para ser uma boa história, tal como todas as outras que tenho acompanhado.
Bjinho, Elvira

Minhas Pinturas disse...

Olá amiga que bom você ter voltado, e com uma história que nos deixa querendo ver o final. Adoro esses pequenos contos, beijos
Léah

lua singular disse...

Oi Elvira,
Ela deveria pesquisar o homem com quem iria casar em todas as situações, é isso que da casar com alcoólatra.
Gostando muito(nota dez)
Beijos
Lua Singular

Rosemildo Sales Furtado disse...

O acidente, a morte do marido, a perda do filho e dezesseis dias em coma num hospital, foi o prêmio recebido por não querer magoar o marido infiel. Estou gostando da estória.

Abraços,

Furtado