5.2.17

LONGA TRAVESSIA - PARTE VII


Os dois homens chegaram às dezassete em ponto. Depois das apresentações, trocaram-se e leram-se documentos. Tudo confirmado, os documentos foram assinados, e a venda efetuada.
Depois disso, o novo dono quis ver as várias secções e ser apresentado ao pessoal. Assim, e não por reunião coletiva, como o anterior dono tinha pensado fazer. Percorreram então a empresa, com o homem fazendo perguntas pertinentes aos chefes de secção, tentando inteirar-se de tudo.
- E aqui, é o gabinete da gestora de Recursos Humanos,- disse o anterior dono, abrindo a porta do gabinete e afastando-se para que Mário entrasse.
A mulher que estava atrás da secretária, ergueu a cabeça, e fitou nele um olhar apavorado, enquanto o seu rosto empalidecia.
-Teresa Carvalho, a nossa gestora de Recursos Humanos. Teresa, este é Mário Silveira o novo dono da “Tudilar”
Teresa, tinha-se posto de pé, e olhava com surpresa e dor para o homem, que se aproximava da sua secretaria de mão estendida, e um sorriso indefinido no rosto.
-Seria possível que não a reconhecesse? – Interrogou-se mentalmente. Teria significado tão pouco na sua vida? Entendeu-lhe a mão, sem deixar de o olhar. Seria impressão sua, ou uma ligeira sombra perpassou o olhar masculino?  Ela não poderia dizer, se a viu ou se a imaginou, mas quando apertaram as mãos, teve a certeza absoluta que ela não se esquecera dele. Todo o seu corpo reconheceu o calor e o toque da mão do homem.
Depois de algumas palavras de circunstância, os dois homens saíram deixando atrás de si uma mulher completamente destroçada.
Tanto tempo depois, daquele fatídico dia em que regressou das férias de Natal e encontrou a casa vazia, sem sequer uma curta missiva de despedida. Como se ela nunca tivesse feito parte da sua vida. E a verdade é que nunca fizera. Viveram juntos dois anos, e nunca soube onde nascera, quem eram seus pais, onde viviam. Nunca conheceu ninguém da sua família. Nem amigos. 
Só sabia que era um homem extremamente apaixonado na cama. Capaz de a levar à loucura.
Mas fora dela? Interessava-se por ela, pelo que sentia, pelo que desejava? Decididamente não. Não se lembrava de um só dia, naqueles dois anos em que viveram juntos, que lhe tivesse perguntado como fora o seu dia, o que fizera o que sentia. Era como se ela fosse um objeto da casa, que lhe pertencia porque lá estava, e a casa era dele. E o golpe final foi o abandono. Sem uma morada, ou uma nota de despedida. Nada.  A rejeição total.
Ela não o esquecera. Como podia fazê-lo se lhe deixara a germinar a sua semente? E se o filho cada dia se parecia mais com ele? E agora passados quase oito anos, eis que se apresentava de novo na sua vida.




18 comentários:

Tintinaine disse...

Um passo de gigante numa história interessante.
Bom domingo, Elvira!

✿ chica disse...

Nooooooooooossa! Tá empolgante! A vida e suas voltas e reviravoltas...

bjs, chica

Os olhares da Gracinha! disse...

A vids a surpreendê_los!
Bim domingo!!!

Isa Sá disse...

A passar para acompanhar a história e desejar um bom domingo!


Isabel Sá
Brilhos da Moda

Roaquim Rosa disse...

Bom dia
pois ja se contava , cada dia cada surpresa !!!!!!
bom fim de semana
JAFR

Prata da casa disse...

As voltas que a vida dá.
Bjn
Márcia

António Querido disse...

Não são passagens pelo outro mundo, acontecem cá e alguns de nós temos uma história idêntica para contar, falo por mim! Cada vez me entusiasmo mais pelo final porque existem coincidências...
Um bom domingo.

Rui disse...

Fiiiiuuuu (assobio) !!! ... Pois é ! Aí é que está o busilis ! Tudo poderia acontecer, desde uma Renovada paixão, até um afastamento total, mas ... essa do filho é que "vai complicar" tudo !!!

A Elvira é genial !!! ... (???) ... Veremos o que irá sair dessa cabecinha ! eheh

Abraço

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Bom dia Elvira!
Está cada vez mais interessante.
Um filho, eis a questão.
Será que vai despertar a ternura neste homem tão machucado e deprimido?
Hum!!!
Feliz domingo amiga, beijinhos.

aluap Al disse...

Pois, desta relação nasceu um filho e aqui está você a lembrar-no-lo!

Bom domingo!

Janita disse...

Dois anos de vida em comum não foi algo passageiro e também ele deve ter-se lembrado de Teresa, Afinal, oito anos não modificam tanto as pessoas, fisicamente.
Gostei que ela tivesse ficado com um filho. Todo o filho é uma dádiva, na vida de uma mulher, seja mãe solteira ou casada, feliz ou infeliz...

Um abraço.

Edumanes disse...

Longa Travessia. Também se podia chamar de viagem de circum-navegação. Mário foi dar volta ao mundo, está chegando ao ponto de onde partiu! Será que consegue unir os dois pontos?
Tenha uma boa noite amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Gaja Maria disse...

A história está a complicar-se :)

Pedro Coimbra disse...

Tudo se encaminha para o retomar de uma ligação abruptamente interrompida.
Boa semana

Ailime disse...

Olá Elvira,
Uma bela historia com muito "suspense"!
Um beijinho.
Ailime

Pedro Luso disse...

Olá Elvira.
Na visita que fiz há pouco ao blog do Esteban, encontrei você lá, e então pensei em visitar este seu espaço, mesmo que de forma ligeira, para voltar depois e iniciar minhas leituras. Um belo blog. Parabéns.
Abraços,
Pedro

Berço do Mundo disse...

Voltei para acompanhar os desenvolvimentos da história e descubro que heroína foi abandonada grávida!?!? Que grande reviravolta.

maria disse...

Pois é... o destino é muito forte!