30.12.16

FELIZ ANO 2017

A todos os AMIGOS que costumam passar por este cantinho. Aos que vêm aqui há anos, e aos que chegaram há dias. Aos que me leem e comentam, e aos que partem sem dizer nada. Aos que vem todos os dias e aos que passam uma vez por outra. Aos que me conhecem pessoalmente e aos que apenas me conhecem virtualmente. A TODOS desejo que 2017 seja um ano muito feliz. Que ele vos traga alegria e saúde.  Deveria dizer paz, e felicidade? Decerto que sim. Mas penso que alegria e saúde resume tudo o que a humanidade precisa. Porque quem está alegre, é porque é feliz, e tem paz e tem pão, e liberdade, não é mesmo? E se a par disso tem saúde, que pudemos desejar mais. A juventude claro, mas já pensaram se estariam dispostos a perder tudo o que já viveram, a alegria de serem pais e avós a troco da juventude?
Bom então que seja um ano excepcional para todos vós.

Do coração, muito obrigada a todos pela companhia, e pelo carinho, partilhado durante 2016

28.12.16

MINHA OFERTA



Eis Senhor
Meus versos
Meus carinhos.
Mais não me peças,
Mais não te posso dar;
Minha alma
É rosa cheia de espinhos
Onde por certo
TU te irias magoar.

Se um dia
Esquecidos pelos caminhos
Cheios de pó
Alguém os encontrar
São para Ti
Meus versos modestos
Para Ti
A quem tanto quis amar.

Talvez que ao lê-los sorrirás
E quem sabe até me perdoarás.



Estou de volta. Meio doente e cansada. Visitar-vos- ei amanhã.

26.12.16

HISTÓRIAS QUE DÃO QUE PENSAR








Recebi por e-mail. Não traziam nome de autor.  Partilho-as como as recebi.


                                                                              I


1ª - PERGUNTA MAIS IMPORTANTE

Durante o meu segundo semestre na escola de enfermagem, nosso professor nos deu um teste surpresa. Eu era uma aluna estudiosa e consciente e rapidamente li todas as perguntas, até que cheguei à última:
- Qual é o nome da mulher que limpa a escola?
Seguramente isto era algum tipo de brincadeira. Eu já tinha visto muitas vezes a mulher que limpava a escola. Ela era alta, morena de olhos escuros e aparentava cerca de 50 anos. Porém como ia saber o seu nome? Entreguei o meu teste deixando a última pergunta em branco.
Antes que todos terminassem, alguém perguntou ao professor se a última pergunta contava para nota.
Absolutamente, - respondeu o professor. Na vossa profissão ireis conhecer muitas pessoas. Todas são importantes. Elas merecem a vossa atenção e cuidado. Ainda que apenas sorriam e digam , "olá".
Nunca esqueci esta lição. E o nome da empregada era Doroty.

TODOS SOMOS IMPORTANTES

                                                                                     II

AUXÍLIO NUMA NOITE DE CHUVA



Numa noite de chuva torrencial, perto da meia noite, uma mulher afro americana, de idade avançada, estava parada na berma da autoestrada de Alabama. O seu carro havia avariado, e ela necessitava urgentemente de ajuda. Toda molhada decidiu interceptar o próximo carro que passasse.

Um jovem branco se deteve para a ajudar, apesar de todos os conflitos que haviam nos anos 60. Ele a levou até lugar seguro, lhe ajudou a conseguir um pronto socorro para ir buscar o carro, e lhe arranjou um táxi para a levar ao seu destino. A mulher parecia estar muito aflita. Ela anotou a morada do jovem, agradeceu e se foi.

Sete dias se passaram, quando tocaram a campainha da porta do jovem. Ele foi abrir e para sua surpresa era um televisor de ecran gigante, a cores, entregue pelo correio. Com o Televisor vinha um bilhete que dizia:

"Muitíssimo obrigada, por me ter ajudado naquela noite na autoestrada. A chuva me encharcou o corpo e o espírito. Então apareceu você. Graças a você, eu pude chegar ao lado da cama onde meu marido agonizava, a tempo de me despedir dele antes que morresse.

Deus o bendiga por me ajudar e servir os outros desinteressadamente.

Sinceramente a senhora de Nat King Cole"



NÃO ESPERES NADA EM TROCA E O RECEBERÁS.

                                                                                 III

RECORDA SEMPRE AQUELES A QUEM SERVES


Naquele tempo um gelado custava muito menos do que hoje. Uma criança de 10 anos entrou numa gelataria e sentou-se numa mesa. A empregada veio e colocou um copo de água na mesa.
- Quanto custa um gelado de chocolate com amêndoas ?- Perguntou a criança.
- Cinquenta centimos - respondeu a empregada
O menino meteu a mão no bolso e tirou algumas moedas que examinou rapidamente.
-Quanto custa um gelado simples? - Voltou a perguntar.
Algumas pessoas estavam esperando mesa, e a empregada, já estava a ficar impaciente.
-Trinta e cinco cêntimos, - disse bruscamente.
O menino voltou a contar as moedas e disse:
-Quero um gelado simples.
A empregada foi buscar o gelado, que colocou em cima da mesa, junto com o talão da conta e afastou-se.
O menino comeu o gelado, pagou na caixa, e saiu. Quando a empregada começou a limpar a mesa, engoliu em seco ao ver alinhadinhas junto ao prato, algumas moedas que perfaziam vinte e cinco cêntimos. A sua gorjeta.



JAMAIS JULGUES A ALGUÉM ANTES DE TEMPO.

                                                                               IV


4º OS OBSTÁCULOS NO NOSSO CAMINHO


Há muitos anos atrás um rei mandou colocar uma grande rocha, num caminho, fechando quase por completo o caminho. E depois escondeu-se para ver se alguém removia a rocha.
Grandes comerciantes, e altos dignitários do reino, vieram e simplesmente deram a volta. Alguns, clamaram contra o rei, que não cuidava das estradas do reino, mas nada fizeram para desviar a enorme pedra.
Então veio um camponês, com uma carga de verduras, e ao aproximar-se viu o caminho obstruído pela enorme pedra. Pousou a carga no chão e tentou mover a pedra. Com a ajuda de uma estaca e depois de muito esforço conseguiu remover a pedra do caminho. Mas então reparou numa carteira cheia de moedas de oiro, que estava no chão, precisamente no sítio onde antes estivera a enorme pedra.
A carteira tinha um bilhete assinado pelo rei, que dizia que o dinheiro pertencia à pessoa que afastasse a pedra do caminho. O camponês aprendeu o que os outros nunca entenderam.

CADA OBSTÁCULO REPRESENTA UMA OPORTUNIDADE PARA MELHORAR A NOSSA CONDIÇÃO DE VIDA.
.

                                                                             V

5º DOANDO SANGUE



Há muitos anos atrás quando eu trabalhava no hospital de Stanford, conheci uma menina chamada Liz, que sofria de uma estranha enfermidade, cuja única esperança de salvação era uma transfusão de sangue de seu irmão, de cinco anos que idade, que milagrosamente havia sobrevivido à mesma doença e tinha desenvolvido anticorpos necessários para combatê-la.

O doutor explicou a situação ao menino e lhe perguntou se estaria disposto a doar sangue a sua irmã. Eu o vi duvidar apenas por um momento, antes de dizer com um suspiro:

- Sim eu o farei se isso salva a Liz.

Enquanto durava a transfusão, o menino estava recostado numa cama ao lado da de sua irmã, olhando sorridente enquanto nós assistíamos a ele e a sua irmã, enquanto víamos as cores voltarem ás faces da menina. Então o menino empalideceu e perguntou com voz temerosa ao médico:

-Doutor, a que horas vou começar a morrer?

Tendo apenas 5 anos ele não compreendera o médico. Pensava que para salvar a irmã teria que dar todo o seu sangue e morrer. Mesmo assim ele lho dava.



DÁ TUDO POR QUEM AMAS



AMA COMO SE NUNCA TIVESSES AMADO
NÃO MENOSPREZES A AMIZADE DOS TEUS AMIGOS
VIVE TODOS OS DIAS COM AMOR, FÉ, E PAZ

TRABALHA COMO SE NÃO NECESSITASSES DE DINHEIRO

DANÇA COMO SE NINGUÉM TE ESTEJA A VER



 Espero que tenham tido
 Um Feliz Natal e desejo-vos que o anoque aí vem,seja muito feliz. Tudo de bom para vós. 


23.12.16

UMA HISTÓRIA DE NATAL

conto reeditado

Era uma vez um burro. Velho e cansado como todos os burros que viveram  anos e anos, dia após dia, sempre carregando no lombo, pesadas cargas. Agora, no fim da vida, ele só esperava que o seu dono o deixasse morrer em paz. Mas parecia-lhe que não era essa a intenção do seu dono, quando nessa manhã de Inverno o levou para a feira. O burro, que não era tão burro quanto o seu nome dizia, percebeu que o dono, a quem servira toda a vida, se ia desfazer dele, porque achava que não tinha mais préstimo.  E embora ele reconhecesse que até já não tinha forças para grande coisa, doía-lhe a ingratidão do dono. 
Esperaram por mais de três horas na feira. De vez em quando aparecia alguém que parecia interessado no burro, mas ao analisá-lo de perto concluía que era demasiado velho para o que precisavam, e depressa se desinteressavam. 
Um dos que se aproximaram para o ver, dissera mesmo ao dono. "Está velho. Já não tem préstimo. Devia abatê-lo"
O velho burro estremeceu de terror. E pensou que os homens eram animais perigosos. Serviam-se dos outros animais, enquanto eles podiam, executar por si as tarefas mais difíceis, e quando estavam velhos, matavam-nos. Pensou se eles fariam o mesmo aos da sua espécie. Mandariam abatê-los quando estavam velhos?
Ao findar do dia, quando o dono se preparava para fazer o regresso, e o pobre burro, não pensava noutra coisa que não fosse a frase cruel ouvida de manhã, sem conseguir descortinar no seu dono se era ou não isso que ele ia fazer, um homem alto e magro de ar calmo e bondoso aproximou-se do burro e do seu dono.
Examinou-o e perguntou o preço. 
-Muito alto para um burro velho, -disse.
Voltou a examinar o burro. Passou-lhe a mão pelo lombo. O burro estremeceu. Sentiu os calos na mão do homem, e no entanto aquela mão, transmitiu-lhe uma tal doçura, que o pobre do burro não habituado a isso, ficou maravilhado.  Ah! Se ele soubesse rezar, decerto teria rogado ao Deus do homem,  para que ele  o comprasse, de tal forma o desejou. Mas ele era apenas um burro.
-Dou-lhe metade, -disse o homem
O dono regateou. E o homem virou costas decidido a partir. O burro ficou triste. Tão triste, que uma lágrima turvou o seu olhar cansado.  Mas então o dono, perdida já a esperança de melhor preço, chamou o homem.
Este voltou atrás e fez a compra.
O homem pegou o burro pela arreata, e dirigiu-se para casa. Pelo caminho falou como se soubesse que o burro o entendia:
-Estás velho amigo. Vamos a ver se consegues ajudar-nos.  Para te ser sincero, preferia um animal mais novo. Mas não vi nenhum. E ainda que visse, talvez não tivesse dinheiro suficiente para o comprar. Espero que dês conta do recado e nos ajudes na viagem.
A palavra viagem, não agradou ao velho burro, que  já se sentia fraco das patas. Mas entre uma viagem e a morte,  que decerto o esperava na volta para casa do seu antigo dono, a escolha era óbvia. 
Relinchou tentando dar ao novo dono, uma confiança de que ele próprio duvidava.
Nessa noite, foi o burro muito bem tratado, em palavras, e ração, pelo que adormeceu feliz da vida.
Na manhã seguinte, eis que o homem se apresenta com a esposa, e uma carga que lhe põe no lombo, e os três empreendem a tal viagem. De vez em quando, o burro olhava a mulher, que se apresentava em adiantado estado de gravidez, e pensava que ela não ia aguentar muito tempo a caminhada. Em breve teria que a carregar.  Temia não ter forças para isso.
A meio do dia, fizeram uma pausa.  Tiraram-lhe a carga e deixaram-no livre, para que pastasse algumas ervas que por ali espreitavam entre o gelo do inverno, enquanto o casal se sentava sobre um pedaço de rocha e comia alguma coisa. 
Pouco tempo depois, o homem pegou o burro pela arreata e levou-o até junto da mulher que se mostrava visivelmente cansada. O burro percebeu que tinha chegado o momento tão temido. E se ele não fosse capaz de levar a mulher? Que seria do casal, perdido no descampado ermo, em pleno inverno?
O homem ajudou a mulher a montar e pegando na carga até aí transportada pelo burro colocou-a às costas e os três recomeçaram a viagem.
Mal retomaram a marcha, o velho burro abriu ainda mais os seus grandes olhos, espantado. Que milagre era aquele? Porque não sentia qualquer peso no lombo?  Será que a pobre mulher tinha caído? No seu estado? Virou a cabeça, para constatar que ela seguia bem sentada no seu lombo.
Então porque ele não sentia qualquer peso? Seguia sem esforço, caminhando melhor que nos anos da sua juventude. E assim seguiram os três até que à noitinha chegaram à cidade. O burro reconhecia aquela cidade. Várias vezes lá fora com o antigo dono. Até já ficara num estábulo numa daquelas ruas, uma vez que o dono pernoitara na cidade. Por isso, quando depois de percorrerem várias estalagens, não encontraram lugar para pernoitar, e o casal já desanimava,  o burro, ansioso por mostrar a sua gratidão ao casal, tomou o rumo do estábulo que ele conhecia bem.

Maria Elvira Carvalho

Feliz Natal para vós. O meu este ano está cheio de tristeza.Há dois meses perdi o cunhado e hoje partiu a irmã dele, que  não sendo familiar direta é amiga de há mais de 50 anos

22.12.16

UM PRESENTE INESPERADO


Chovera toda a noite. As ruas eram autênticas ribeiras, arrastando na enxurrada toda a espécie de detritos. Os carros passando a alta velocidade espalhavam, indiferentes, água suja sobre os transeuntes, molhando-os, sujando-os.
    O Tonito seguia também naquela onda humana, sem destino. Tinha-se escapulido da barraca, onde vivia. Os pais tinham saído cedo para o trabalho, ainda ele dormia, os irmãos ficaram por lá brincando, chapinhando na lama que rodeava a barraca. Ele desceu à cidade, onde tudo o deslumbrava. Todo aquele movimento irregular, caótico, frenético. Os automóveis em correrias loucas, as gentes apressadas nos seus afazeres. E lá seguia pequenino, entre a multidão, numa cidade impávida, indiferente, cruel mesmo. Passava em frente às pastelarias, olhava para as montras recheadas de doçuras, ele comera de manhã um bocado de pão duro e bebera um copo de água. Vinha-lhe o aroma agradável dos bolos, o seu pequeno estômago doía-lhe com fome! Chovia agora mansamente, uma chuva gelada, levando uma cidade onde se cruzavam o fausto, a vaidade, o ter tudo, os embrulhos enfeitados das prendas, com a dor a melancolia, o sofrimento, o ter nada e no meio uma criança triste e com fome!
    Mas o Tonito gostava era de ver as lojas dos brinquedos. Lá estavam os carros de corrida, o comboio, os bonecos, enfim todo um mundo maravilhoso que ele vivia, esborrachando o nariz sujo contra a montra. Lá dentro ia grande azáfama nas compras de Natal. E os carros de corrida, o comboio, os bonecos eram embrulhados em papeis bonitos para irem fazer a alegria de outros meninos. Uma lágrima descia, marcando-lhe um sulco na sujidade da carita. Eis que os seus olhos reparam num menino, que de lá dentro o olhava. Desviou-se envergonhado. Não gostava que o vissem chorar. E afastou-se devagar, pensando nos meninos que tinham Natal, guloseimas e carros de corrida para brincar. Ele nada tinha, além da fome e a ânsia de ser feliz e viver como os outros. Pensou no Natal, no Menino Jesus, que diziam que era amigo das crianças a quem dá tudo. Por que é que a ele o Jesus Pequenino do presépio nada dava?
De repente, uma mãozinha tocou-lhe no ombro.
    Voltou-se assustado. Era o menino da loja que lhe metia na mão um embrulho bonito. À frente a mãe, carregada de embrulhos, fazia de conta que nada via. Abriu-o e deslumbrado viu um carro de corridas, encarnado, brilhante, como os olhos do menino que lá ao longe lhe acenava. Ficou um momento sem saber o que fazer, mas depois largou a correr, mostrando bem alto a sua prenda de Natal.
    Parara de chover. O sol tentava romper as nuvens escuras, lançando um raio de luz brilhante e quente sobre o Tonito, que ria feliz, numa carita sulcada pelas lágrimas.


DAQUI


A TODOS OS QUE POR AQUI PASSEM DESEJO UM SANTO E FELIZ NATAL. A PARTIR DE HOJE,  AS POSTAGENS SAIRÃO PORQUE ESTÃO PROGRAMADAS, MAS NÃO VISITAREI NINGUÉM POIS NÃO LEVO COMPUTADOR.

21.12.16

O NATAL E A POESIA


Uma Estrela com Luz de Poesia
De repente, passou uma pequena nuvem de tristeza sobre os olhos de Francisca. A avó Josefa partira há dois anos para um sítio de onde ninguém costuma mandar notícias. Antes da partida ainda sofreu muito, e tão depressa a queria junto de si, para sentir o calor do seu carinho, como a queria longe, para não se aperceber dos rostos que o sofrimento pode ter.
Francisca ainda era pequena mas nunca mais esqueceu a dor daquela perda. Foi como se o mundo, naquele dia, tivesse decidido mostrar-lhe o seu lado negro e atemorizador, como se o sol se tivesse zangado com a claridade dos dias e como se até as lágrimas se recusassem a sair para não verem como dói ser infeliz.
Era Dezembro e, lá em casa, nesse ano, ninguém quis festejar o Natal, porque não havia vontade de dar nem de receber presentes e porque todas as conversas se encaminhavam no mesmo sentido, que era o da tristeza e do desconsolo.
Antes de partir, a avó Josefa dissera a Francisca:
— Uma noite, quando já estiver habituada à minha nova morada, hei-de dar-te sinal para que saibas que estou bem e que penso em ti.
Francisca lembrou-se sempre dessas palavras e encontrou, nos poemas que lia nos livros da escola palavras mágicas e belas que eram iguais às que a avó Josefa usava quando queria mostrar-lhe que, por vezes, a beleza de uma coisa pode estar na forma que usamos para a nomear.
— Pode dizer-se de uma coisa — explicava a avó Josefa — somente aquilo que os olhos vêem. Mas também se pode acrescentar qualquer coisa que a torne mais bonita e mais agradável de ver. Isso, minha filha, chama-se Poesia.
Quando Francisca lhe pediu para explicar melhor o que queria dizer, ela deu-lhe alguns exemplos:
— Podemos dizer: “isto é uma árvore”, mas também podemos dizer: “esta árvore está triste porque tem sede” ou “esta árvore é alta e elegante como uma girafa num dia de Primavera”.
Francisca percebeu sem esforço as palavras da avó Josefa e, a partir desse dia e desses exemplos, compreendeu que a Poesia havia de ajudá-la a estar sempre perto da avó, estivesse ela onde estivesse, por maior que fosse a distância que as separava.
Tinha passado um ano e a família preparava-se para festejar mais um Natal. Tinham-se distribuído tarefas e cada um dava o melhor que podia e sabia para realizar bem a que lhe coubera. Uns ajudavam a mãe a pôr a mesa, outros verificavam se os ornamentos da árvore de Natal estavam todos no lugar certo, outros ainda colocavam os presentes nos lugares certos para poderem ser localizados na hora de serem distribuídos, quando fosse meia-noite.
Francisca também cumpriu as suas tarefas, que não eram nem mais fáceis nem mais difíceis que as dos outros, mas nem mesmo estando ocupada conseguia disfarçar a tristeza que as saudades da avó Josefa lhe punham nos gestos e nos olhos.
Todos sabiam qual era a razão dessa tristeza, mas estava assente que, naquela noite, ninguém falaria no assunto. A avó Josefa, que não tinha rival na forma de organizar a festa de Natal, seria lembrada por todos em silêncio, pois as palavras mais belas tinham viajado com ela para muito longe.
Quando se ouviram, na torre da igreja, as doze badaladas da meia-noite, Francisca sentiu que uma lágrima lhe escorria pela face como se fosse uma pérola de um tesouro antigo e secreto.
Foi então que um dos irmãos, o Afonso, lhe disse, tentando animá-la e distraí-la:
— Francisca, há uma estrelinha no céu, lá muito alto, que parece estar a chamar por ti.
Francisca correu para a janela, limpou a lágrima, olhou para a estrela e conseguiu ver no seu brilho intenso o rosto da avó Josefa sorrindo para ela como nos tempos em que lhe contava histórias estranhas e belas para a convencer a comer a sopa.
Quando chegou o momento de se distribuírem os presentes, coube a Francisca, para além de muitas coisas que lhe deram grande satisfação, um belo livro de poemas sobre árvores, rios e animais, ilustrado com muita imaginação e cores muito vivas.
— Quem foi que me deu este livro? — quis saber Francisca. Mas ninguém lhe respondeu.
— Vá, digam lá, quem foi que me deu este livro tão bonito? — insistiu ela, mas continuou a não obter resposta.
Então Francisca pegou no livro, foi para junto da janela e recitou baixinho o mais belo poema que encontrou, como se estivesse a conversar com a avó. Ninguém comentou o seu gesto ou o achou estranho. Lá fora, a pequena estrela brilhava ainda com maior intensidade, como se quisesse encher de luz, de uma luz cintilante e rara, aquela festa de Natal.
E quando Pedro, o irmão mais novo de Francisca, na manhã seguinte lhe perguntou do que mais tinha gostado na festa de Natal, ela respondeu de uma forma breve e simples:
— Do que eu mais gostei foi da Poesia.
— E o que é a Poesia? — perguntou Pedro.
— É uma estrelinha perdida na noite a querer dizer-nos que está sempre alguém connosco quando nos sentimos tristes e temos saudades de quem já partiu.
Também Pedro nunca mais se esqueceu de como pode ser bela a palavra Poesia.


20.12.16

A TRÉGUA DE NATAL



aldeia do pai Natal - Finlândia

Na Finlândia, próximo da cidade de Turku, o duque João passa revista às tropas como habitualmente faz todos os dias. Olha com muita pena para estes homens cansados. Estão mobilizados para defender a cidade contra vizinhos invejosos que desejam apoderar-se dela.
“O Natal está a chegar e todos gostaríamos de passar a festa em família”, pensa ele com tristeza. “Se não estivéssemos em guerra… Se os combates pudessem cessar por uns momentos…”
O duque João puxa de repente pelas rédeas do seu cavalo e pára.  Acaba de ter uma ideia! Ei-lo que, sem demora, se lança a galope em direcção à linha do inimigo.
Chegado junto do acampamento adversário, pára a montada e ergue-se sobre os estribos…
— Amanhã, pela graça de Deus, vai ser o dia do nascimento de nosso Senhor e Redentor — anuncia ele com voz possante. — Declaramos uma trégua de Natal e convidamos todos a celebrar esta festa com o devido recolhimento.
Um longo silêncio acolhe as palavras do senhor de Turku. Mas, em breve, clamores de alegria se elevam por todo o lado em ambas as partes.
— Há trégua! — gritam os soldados, abraçando-se entre si.
Em poucos minutos, o campo de batalha transforma-se. Os inimigos de ontem congratulam-se, apertam a mão, abraçam-se. Rapidamente, os homens juntam-se para formar uma só e única tropa que, alegre, larga a caminho da cidade.
Em Turku, as mulheres e as crianças, ao depararem com aquele estranho cortejo a aproximar-se, ficam cheias de medo. Escondem-se, a toda a pressa, em casa.
— Abram!  Somos nós, viemos festejar o Natal! — gritam os homens do duque João pelas ruas fora. — E trazemos convidados!
Então, uma a uma, abrem-se as portas para acolher os combatentes.
Os homens reencontram as suas famílias e todos recebem os vizinhos com um sorriso. A alegria espalha-se por todas as ruas. Deliciosos aromas saem das casas.
Na Missa do Galo, os antigos inimigos cantam como irmãos o nascimento do Salvador.
A partir de então, todos os anos, o presidente da câmara de Turku proclama a trégua de Natal.
Durante dois dias, todos esquecem as ofensas para prepararem, em paz, o nascimento de Jesus.
 Christine Pedotti
24 histoires de Noël pour attendre Jésus
Paris, Mame, 2007
(Tradução e adaptação)






19.12.16

E JESUS VEIO...




Para começar esta última semana, antes da vinda do Deus Menino, vou contar-vos uma história que ouvi ao padre da minha paróquia, numa missa para meninos da catequese. Conto-a como a ouvi, não sei se é uma lenda, se um conto de autor, porque ele não referenciou o facto.




"Conta-se que algures numa terra distante,  havia uma mulher muito religiosa, e muito rica. 
Numa tarde de Natal, um anjo apareceu a essa mulher, e disse-lhe:
- Venho anunciar-te, que esta noite, Jesus visitar-te-à.
A mulher entusiasmada foi para casa e começou a preparar o melhor manjar para ofertar ao Senhor. 
Como era muito rica, encomendou  os melhores pratos de carne e peixe, saladas e vinhos caros.
Preparava a mesa, com a mais bela toalha de linho, quando tocaram a campainha.
Era uma mulher, pobremente vestida, e com ar sofredor.
-Senhora, - disse a pobre mulher. -Será que não há na vossa casa algum serviço para mim. Tenho fome, e não tenho trabalho.
-Ora bolas, -disse a mulher irritada. - Isso são horas de me vir incomodar? Volte outro dia, estou à espera de uma visita importante. Não tenho tempo para si.
Retirou-se a pobre mulher, mas pouco depois, um homem todo sujo de óleo e com aspecto cansado bateu-lhe à porta.




-O meu camião avariou aqui mesmo à sua porta, - disse ele. -Não terá a senhora um telefone , que me deixe usar para chamar um mecânico?
A senhora que estava ocupada a limpar as porcelanas, e os cristais que ia usar na ceia com o Senhor, respondeu de mau modo:
-Você pensa que a minha casa é o quê? Vá procurar um telefone público. Onde já se viu, vir incomodar assim as pessoas. Vá-se embora e cuide de não sujar a minha entrada com esse calçado imundo. 
E a mulher voltou para a cozinha, ainda tinha o champanhe para abrir, e as entradas para preparar.
Bateram de novo à porta. 
"Será que agora é que é Jesus" pensou emocionada enquanto se dirigia à porta.




Mas era apenas um menino de rua, sujo e roto.
-Senhora, tenho fome. Dê-me um resto de comida... 
- Como é que eu te vou dar um resto de comida, se cá em casa ainda não jantamos?  Volta amanhã que hoje não tenho tempo . Estou muito atarefada...
Finalmente tudo pronto, esperou emocionada, pelo ilustre visitante. Esperou...esperou... durante longas horas até que acabou por comer qualquer coisa, para aplacar o estomago.
De madrugada, acordou sobressaltada, e com espanto viu de novo o mesmo anjo:
Como é que um anjo é capaz de mentir? -disse zangada.-Preparei  o melhor dos jantares, esperei toda a noite, e Jesus não apareceu. Porque é que fez essa brincadeira comigo?
E o anjo respondeu:
-Não fui eu que menti. Foste tu que não enxergaste. Jesus veio. Três vezes ele bateu à sua porta. Na pessoa da pobre mulher, na pessoa do motorista, e por último na pessoa do menino faminto. Mas tu foste incapaz de O reconhecer e sempre O rejeitaste." 

   Uma boa semana para todos.



18.12.16

O NATAL E O AZEVINHO






Se há planta que nos lembre imediatamente o Natal, ela é sem dúvida o Azevinho. Talvez por ser um arbusto verde de bagas vermelhas, talvez porque exista na sua história uma longa ligação ao Cristianismo, ou ainda pelas lendas que sobre ele conhecemos.
Posto isto, vamos conhecer melhor o Azevinho? Da família das Aquifoliaceae  o azevinho  (Ilex aquifolium)  é um arbusto comum em muitas partes do globo, onde é conhecido por este ou outro nome, como azevinheiro, ou espinho-de-Cristo, este último numa alusão à coroa de espinhos da crucificação de Cristo.
Pode atingir os 15 metros, embora o mais comum seja entre os três,  quatro metros. Segundo a Wikipédia viverá cerca de 100 anos, mas noutros sites aparece como vivendo até 300 anos.
É uma espécie dioica (ou seja, existem na espécies dois sexos como nos humanos, masculino e feminino.) e diz-se que os seus frutos, que todos sabemos que são tóxicos, só o são nos indivíduos femininos.
Existem em espécies ligeiramente diferentes, como é o caso do Azevinho que se encontra no Continente, ou dos que existem na Madeira e Açores.
Por ser uma planta muito bonita, era usada na antiguidade, para enfeitar portas e janelas. Os Romanos acreditavam no azevinho como símbolo de paz, saúde, proteção e felicidade. Usavam-no como presente na “Saturnália” festa dedicada ao Deus Saturno, que se realizava entre 17 e 23 de Dezembro.
Mais tarde, quando a Igreja Católica, instituiu o 25 de Dezembro como data do nascimento de Jesus Cristo, alguns dos costumes da Saturnália, foram adotados no Natal, e o Azevinho foi considerado como um símbolo do sofrimento de Cristo, por causa das suas folhas espinhosas, associadas à coroa de espinhos da crucificação, e as bagas vermelhas, simbolizando o sangue do Cordeiro, derramado pela salvação do mundo.
Também o azevinho está, segundo a tradição, ligado à fuga da Sagrada Família, para o Egito. Diz a lenda, que quando José e Maria fugiam com Jesus para o Egito, estiveram perto de ser apanhados pelos soldados do sanguinário Herodes, que mandara matar todos os bebés do sexo masculino até aos dois anos de idade.
Aflita, Nossa Senhora terá pedido a um pé de azevinho que os ocultasse. Então as folhas cresceram, o arbusto estendeu seus ramos e ocultou por completo a família.
Agradecida a Virgem terá abençoado a planta, concedendo-lhe a graça, de manter sempre verdes as suas folhas.
Efetivamente, as suas folhas mantêm-se verdes e firmes, mesmo quando cai o inverno e as árvores ficam nuas.
Há quem o considere o simbolo da vida eterna, exatamente por isso.
E dizem os ingleses, que beijar alguém debaixo do azevinho no Natal, dá sorte. Os  Alemães acreditam. 
Por tudo isto, a loucura pelo azevinho foi tão grande, que o seu corte indiscriminado, transformou-o numa espécie em vias de extinção. Por isso, em muitos países se criou uma lei de proteção ao Azevinho.
Em Portugal, também existe o decreto-lei 423/89 de 4 de dezembro, que  proíbe totalmente o corte do Azevinho.




fontes. Aqui  e Aqui 

17.12.16

LENDA DAS RENAS DO PAI NATAL











A lenda das renas do Pai Natal, é relativamente recente. 

Foi criada na Europa do século XIX, porque se dizia que o 

Pai Natal vinha do Norte, e nesses países, Canadá, Alasca, 

Rússia, Escandinávia e Islândia, como todos sabemos, o

meio de transporte durante o Inverno, era o trenó puxado por

renas.

Porém as renas do Pai Natal, tinham que ser diferentes, 

pois era necessário transportá-lo pelos ares, para ser mais 

rápido o acesso a todo o mundo, e naquela época não se 

sonhava que viessem a existir aviões. 

Assim, embora sejam apresentadas como renas normais

elas são especiais, pois são as únicas renas com poderes

para voar, de modo a que o Pai Natal nunca se atrase, e 

entregue a tempo os presentes a todas as crianças no 

mundo inteiro.

Na tradição anglo-saxónica,  só existem  oito renas, número

habitualmente utilizado pelos povos,  nas suas deslocações 

nos trenós tradicionais.

Foram batizadas com os seguintes nomes. Dasher, Dancer,

Prancer, Vixen, Comet, Cupid, Donner e Blitzen, que o povo 

português traduziu para Corredora, Dançarina,  Empinadora,

Raposa,  Cometa, Cupido,  Trovão e Relâmpago.

Bom mas então onde é que está a famosa Rudolph, ou 

Rodolfo que todos conhecemos e a única de que ouvimos 

falar na Infância e não só?

Curiosamente esta rena, aparece pela primeira vez na lenda

no início da Segunda Guerra Mundial, precisamente no Natal

de 1939.

Diz-se que o Pai Natal ao chegar a uma casa para deixar

os seus presentes, encontrou uma rena diferente das suas, 

pois tinha um enorme e luminoso nariz vermelho.  

Como nessa noite, um nevoeiro intenso cobria o planeta,  e  

com receio de se perder e não chegar a horas a todos os

pontos do globo, o Pai Natal terá pedido a Rodolfo que se 

juntasse às suas renas e as liderasse de modo a que não se 

perdessem no caminho.

E a partir daí, Rudolfo passou a ser a rena que guia o trenó 

do Pai Natal, todos os Natais.

Curiosamente ou talvez não, esta é a rena mais famosa e a

única que toda a gente conhece pelo nome.

Como disse Jesus " Os últimos serão os primeiros"







Se repararem, no primeiro desenho, o Pai Natal tem 8 renas.

Neste o Pai Natal aparece com o Rudolph







16.12.16

O NATAL E A FLOR DE NATAL






A  Poinsétia, que em algumas zonas do nosso país é chamada de "manhã de Páscoa" embora seja mais conhecida por todos nós como Estrela de Natal, é uma planta originária do México..Na ciência foi batizada como  Euphorbia pulcherrima,  (Pulcherrima, significa a mais bela) No Brasil conhecem-na por bico-de-papagaio, e rabo-de-arara..
Diz a Wikipédia:
" Vinda da América Central, mais especificamente da região de Taxco del Alarcon, a planta era denominada pelos Astecas de "cuetlaxochiti". A planta era utilizada por este povo para a produção de tintas usadas na cosmética e tingimento de tecidos, além de usarem a sua seiva na produção de medicamentos contra a febre.. Ainda hoje se utilizam aí as poinsétias de brácteas esbranquiçadas para a produção de cremes depilatórios, além do seu cultivo para a formação de sebes ".
Parece que foram os padres franciscanos os primeiros a introduzir, a Poinsétia , na decoração natalícia, mas sobre ela, também há uma bonita lenda que passo a contar

Diz-se que há muitos, muitos anos, uma menina de nome Pepita, se dirigia para a igreja num dia de Natal. Era costume na terra, nesse dia, cada pessoa, levar até ao presépio da igreja, um presente, para o Menino Jesus, seguindo a tradição dos pastores e Reis Magos. 
Seguia a menina a caminho da igreja, acompanhada pelo seu primo Pedro, a quem contou que estava muito triste, pois na sua casa muito pobre, nada havia que pudesse oferecer ao Menino Jesus.
O primo disse-lhe que não estivesse triste, pois não importa o que oferecemos a alguém, mas o amor que pomos nessa oferta. 
Ouvindo isto a menina apanhou alguns galhos secos no caminho para a sua oferta.
Ao chegar à igreja, a menina olha com tristeza, para os ramos secos, e acha esta oferenda muito pobre. A chorar acerca-se do presépio e deposita com todo o amor do seu inocente coração o ramo de galhos secos, junto da imagem de Jesus Menino. 
No mesmo instantes, estes adquirem uma cor vermelha vibrante, e  formam a flor que todos conhecemos, perante o espanto de todos os fieis presentes.
E foi por este autêntico milagre de Natal, que esta flor é até hoje um simbolo desta época.

Existe ainda uma outra variante, em que o Pedro, seria não primo, mas irmão, e as flores brotariam das hastes molhadas pelas lágrimas
da menina


Atenção, a lenda não é minha. Se fosse minha seria uma história, não uma lenda. Chegou-me contada por uma colega, procurei na net, encontrei-a com pequenas diferenças em vários sites e em nenhum vi de onde ela viesse, pelo que julgo será uma das histórias que circulam por tradição oral e não se sabe quem a inventou





15.12.16

LENDA DO BOLO-REI


 O Bolo-Rei é o bolo tradicional natalício português por excelência. A sua origem tem várias raízes. A ideia de um bolo misturado com fruta cristalizada terá surgido na corte do rei Luís XIV, em França, que com os tempos foi-se espalhando pelo resto da Europa. Chegada a Portugal a receita foi adaptada, adquiriu a forma de coroa com que é vendido atualmente e passou a ser associado à época natalícia. A introdução da fava vem no tempo dos Romanos, em que era costume durante as festividades eleger-se o “rei da festa” colocando-se uma fava num bolo. Já a introdução do brinde como recompensa (ficando o perdedor com a fava) é uma criação portuguesa, embora este costume tenha sido, há uns anos, passado a ser proibido por apresentar risco de sufoco, sobretudo para as crianças. Apesar do nome “Bolo-Rei” não vir, como erroneamente se pensa, do dia de Reis – a nomenclatura “Rei” é apenas uma indicação da riqueza de ingredientes com que é feito, tornando-o no bolo “maior” das festividades – isso não impediu a tradição oral de o associar aos Reis Magos, havendo inclusive uma lenda portuguesa que lhes atribui a origem do bolo e lhe dá simbologia. Segue-se a história: Conta a lenda que num país distante viviam três homens sábios que analisavam e estudavam as estrelas e o céu. Estes homens sábios chamavam-se Gaspar, Melchior e Baltazar, a que a tradição deu a nomeação de “três Reis Magos”. Numa noite, ao analisarem o céu, viram uma nova estrela, muito mais brilhante que as restantes, que se movia pelo céu, e interpretaram-na como um aviso de que o filho de Deus nascera. Resolvidos a segui-la, levaram consigo três presentes: incenso; ouro e mirra, para poder presentear o Messias recém-nascido. Chegados à cidade de Belém, já perto da gruta onde estava o menino Jesus, os Reis Magos depararam-se com um dilema: Qual deles teria o privilégio de oferecer primeiro o seu presente? Esta pergunta gerou a discussão entre os três. Um artesão que por ali passava ouviu a conversa e propôs uma solução para o problema de maneira a ficarem todos satisfeitos. Pediu à sua mulher que fizesse um bolo e que na massa colocasse uma fava. Mas a mulher não se limitou a fazer um simples bolos e arranjou forma de ali representar os presentes que os três homens levavam. Desta forma fez um bolo cuja côdea dourada simbolizava o ouro, as frutas cristalizadas simbolizavam a mirra e o açúcar de polvilhar simbolizava o incenso. Depois de cozido o bolo foi repartido em três partes e aquele a quem saiu a fava foi efetivamente o primeiro a oferecer os presentes ao menino Jesus.


da tradição oral portuguesa, no livro "Contos de Natal Portugueses" da Luso-livros

14.12.16

O PRESENTE DE NATAL ESPECIAL



Faz todo o bem que puderes, usando todos os meios que puderes,
de todas as formas que puderes…durante o maior tempo que puderes.
John W. Desley


Através da montra da drogaria onde ambos trabalhávamos como assistentes de gerência, conseguia ver que Lamar aguardava ansiosamente a minha chegada. Tínhamos acordado no mês de novembro anterior que ele trabalharia no dia de Natal e eu no dia de Ano Novo.
O tempo que fazia era típico de Memphis nesta altura do ano. Lamar e eu tínhamos sempre esperanças de ver um Natal branco, mas este estava a desenrolar-se exatamente como os dos últimos vinte anos: frio, enevoado, sem um único floco de neve à vista.
Quando me apressei a entrar no calor da loja, Lamar pareceu aliviado.
— O dia foi difícil? — perguntei.
Gesticulando na direção da caixa central, resmungou:
— Ontem chegámos a ter filas de quinze pessoas. Nunca tinha visto tanta gente a tentar comprar pilhas e películas fotográficas ao mesmo tempo. Suponho que é uma das alegrias de trabalhar no dia de Natal.
— O que queres que faça hoje? — perguntei.
— Acho que o movimento vai acalmar por volta das seis da tarde. A noite a seguir ao Natal é sempre muito parada. Talvez pudesses pôr em ordem toda a secção de brinquedos.
E, dito isto, inclinou-se para pegar num animal de peluche.
Aquele pequeno cão de peluche tinha-se tornado a nossa mascote. Parecia que estávamos sempre a apanhá-lo do chão. Cinco, talvez dez vezes por dia. Nunca tinha sido um brinquedo bonito e agora era-o ainda menos: o pelo longo e felpudo tinha-se tornado emaranhado e sujo, por causa da poeira do chão e da sujidade das mãos das crianças que lhe tinham pegado, enquanto as mães aviavam as receitas. O brinquedo já tinha baixado de preço muitas vezes, sem sucesso. Naquele mundo de bonecos brilhantes e mágicos, um pequeno cão de pelo sujo não era um brinquedo de eleição. No entanto, todos os miúdos de Memphis devem ter apertado aquele cachorrinho pelo menos uma vez naquele Natal.
A tarde passou-se rapidamente entre devoluções, trocas e vendas de decorações de Natal (com 50 por cento de desconto). Contudo, às seis horas, tal como Lamar tinha previsto, o negócio diminuiu e fui trabalhar para a secção dos brinquedos. O primeiro brinquedo que me veio parar à mão foi, evidentemente, aquele cãozinho peludo de orelhas cabisbaixas. Comecei por pô-lo no lixo e retirá-lo do inventário, mas mudei de ideias e coloquei-o de novo na prateleira. Por razões sentimentais, suponho. De repente, uma voz interrompeu as minhas divagações.
— Desculpe, é o gerente?
Virei-me e vi uma mulher jovem e franzina com um rapazinho de cinco anos junto dela.
— Sou assistente da gerência — disse. — Em que posso ajudá-la?
A mulher baixou os olhos por um momento, depois levantou o queixo e disse num tom de voz áspero:
— O meu filho não teve Natal. Tinha esperanças de que agora tivessem alguma coisa com desconto, algo que eu pudesse pagar.
Confesso que encarava com cinismo os ocasionais pedidos de moedas dos sem-abrigo, mas a voz dela continha um tal misto de sinceridade e mágoa por ser obrigada a fazer aquela pergunta que eu disse:
— Estou agora mesmo a remarcar os brinquedos com o desconto. O que procura?
O rosto da mulher iluminou-se, como se tivesse finalmente encontrado alguém disposto a ouvi-la:
— Não tenho muito dinheiro, mas gostaria de comprar ao meu filho algo de especial.
O rapaz ficou feliz ao ouvir as palavras da mãe. Dirigindo-me a ele, pedi:
— Pega no brinquedo que mais gostarias de ter neste Natal, está bem?
O menino olhou para a mãe, que acenou em concordância. Esperei, curioso por ver qual dos brinquedos mais populares daquela quadra ele iria escolher. Talvez um carro de corridas ou uma bola de basquetebol. Porém, em vez disso, dirigiu-se ao cão velho e peludo e apertou-o com força. Fiz de conta que estava a afastar o cabelo da frente dos olhos, enquanto limpava uma lágrima.
— Quanto custa aquele cão? — perguntou a mãe, abrindo o fecho de um pequeno porta-moedas preto.
— Não custa nada — disse eu. — Até me faz um grande favor se o levar.
— Mas eu quero pagar a prenda de Natal do meu filho — insistiu ela.
— É um dólar — disse eu.
Tirou da carteira uma nota amarrotada e estendeu-ma. Depois virou-se para o filho e disse:
— Agora podes levar o cãozinho para casa. É teu.
Uma vez mais, disfarcei a minha comoção, enquanto o rapazinho sorria, extático. A mãe sorriu também e murmurou um silencioso “Obrigada”, enquanto saíam da loja.
Através da janela, vi-os embrenhar-se na noite que começava a cair em Memphis. Ainda não se via um único floco de neve, mas, quando voltei para o corredor dos brinquedos, percebi que tinha acabado de viver um Natal branco.
Harrison Kelly