29.1.16

POEMA PARA UM EMIGRANTE


                                                                                                                                  REEDIÇÃO

Eu queria chamar-me Manuel
e viver tranquilo na minha terra
ir á tardinha com os amigos ao café
e falar do tempo sem pensar que a seca
trará a flor da fome ás searas queimadas.


Eu queria chamar-me Manuel
e ter uma casa, água e luz,
poder fazer um filho livremente
sem pensar na subalimentação
fisica nem mental.


Eu queria chamar-me Manuel
ter emprego e não pensar
que os salários estão atrasados
e talvez o desemprego esteja á espreita
e a fome seja o jantar do próximo mês.


Eu queria chamar-me Manuel
e continuar a pensar Abril,
como a esperança da minha terra.
Eu queria chamar-me Manuel..
e sou apenas o emigrante.

Elvira Carvalho


Nota : Este poema foi publicado em 2012. A maioria de vós não conhecia o Sexta, nessa data.  O engraçado é que três dos novos leitores deste blogue, leram e comentaram este poema há dias.


BOM FIM DE SEMANA

23 comentários:

Edumanes disse...

Pois, eu não sou Manuel, nem sou Joaquim,
ando por aqui, penso que não sou nenhum "trouxa"
o que eu mais queria era, que a vida não tivesse fim
e também nunca faltasse azeite para temperar a açorda!

Desse seu poema gostei,
muitos parabéns poetisa
às voltas com a imaginação andei
nele não encontra a falta duma vírgula!

Boa noite e bom fim de semana amiga Elvira,

Sem querer tudo rima,
quando há inspiração
a esperança nunca finda
se fosse menina tinha coração!

Um abraço.
Eduardo.

Graça Sampaio disse...

Muito conseguido, Elvira! E bem atual. Bela sensibilidade a sua!! Parabéns.

Beijinhos e bom fim de semana.

✿ chica disse...

Parece ter sido feito agora! Lindo, cheio de sentido! bjs, tudo de bom,chica

Existe Sempre Um Lugar disse...

Boa noite, o poema é lindo e actual, as pessoas sensíveis como o Passo coelho, Paulo Portas e Cavaco e Silva deviam de ler o que Elvira muito bem escreveu.
AG

Janita disse...

Um belo poema numa sentida homenagem a todos os que sentem amor ao solo português, mas nele não encontram os meios de sobrevivência.
Partir é preciso. Que bem a Elvira nos sabe envolver no sentimento que expressam as suas palavras.
Essa imagem foi muito bem escolhida para ilustrar o poema.
Parabéns.

Um abraço.

Tintinaine disse...

Eu devo ter sido um desses comentadores. Lembro-me de ter esbarrado nessa imagem que está no alto do monte de S. Félix, aqui pertinho de mim.
Bom fim de semana!

Elisa Bernardo disse...

Demasiado bonito! O tema abordado neste poema é super sensível e muito delicado. Apesar de não ter ninguem do meu núcleo duro nessa situação...é um aperto no peito por quem tem de passar por isso e um medo do futuro também. Muito muito bonito Elvira.
Beijinhos
elisaumarapariganormal.blogspot.com

Rogerio G. V. Pereira disse...

Todos nós
e no fundo sentimos
querendo
que nosso nome seja Manuel

(mas nem todos o confessam
ou, até mesmo, disfarçam)

Mariangela do Lago Vieira disse...

Oi Elvira que belo poema amiga.
É triste e atual esta situação...
Infelizmente.
Abração, e uma linda tarde!
Mariangela

Magia da Inês disse...


Todos nós só queremos uma coisa: viver com dignidade!

Bom fim de semana!
Beijinhos.
✿゚ه° ·.

Jaime Portela disse...

O poema é magnífico.
Fez bem em reeditá-lo, por isso.
Bom fim de semana, Elvira.
Beijo.

ONG ALERTA disse...

Adorei!!!!
Bjbj Lisette

Anete disse...

Muito bonito, bem construído!
Um abraço

Fê blue bird disse...

Um poema que me toca particularmente, pois tenho a minha filha longe de mim e do seu país.
Até quando esta debandada minha amiga ?

Um beijinho

AC disse...

É sina nossa, Elvira, conviver permanentemente com esta situação.
Bem forjado, o poema.

Um bom final de semana :)

Gaja Maria disse...

Muito bonito Elvira. Beijinho :)

paideleo disse...

O poema pode ser vello pero está de actualidade agora mesmo.
Gustoume " a fome seja o jantar do próximo mês ".

Isa Sá disse...

Infelizmente cada vez os imigrantes são mais...
Aquela imagem, penso que um monumento ao imigrante situada no monte de S.Felix ma Povoa de Varzim? ou estou enganada?

Isabel Sá
http://brilhos-fa-moda.blogspot.pt

Maria Sem Limites disse...

E o poema está cinco estrelas.

Maria Sem Limites disse...

E o poema está cinco estrelas.

Odete Ferreira disse...

Um poema que plasma o sentir de um alguém que não consegue concretizar os sonhos na sua terra. Velha e nova problemática deste país.
Bjo, amiga :)

Luis Coelho disse...

Quantos dias acordamos a esperança que teima em partir. Muitos de nós vivemos um tempo difícil onde escrevemos poemas de dor.

Laura Santos disse...

Acho que já este poema...Excelente! Sobre essa funda tristeza de quem se tem de ausentar do país por não ter por aqui forma de fazer vida!
xx