18.8.13

DOIS EM UM

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Terminam hoje as festas do Barreiro, que tiveram o seu ponto alto no dia 15 com a procissão em honra de Nossa Senhora do Rosário de Fátima.
No dia seguinte, Sexta-Feira dia 16, festejei 46 anos de casada, aqui. Espero que gostem

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BOAS FÉRIAS PARA QUEM ESTÁ DE FÉRIAS.  UMA BOA SEMANA PARA TODOS OS OUTROS.

9.8.13

ENCONTRO INESPERADO




 Aconteceu numa tarde de Julho. O calor apertava e toda a gente procurava o parque na margem do Vouga, pejado de seculares e frondosas árvores, sob cuja sombra, o ar era muito mais ameno.
Os bancos de madeira, pintados de vermelho vivo, lembravam manchas sangrentas, no meio de tanto verde.
Naquela tarde porém estavam tão cheios que quase não se lhes via a cor.
Procurando um lugar, cheguei a um pequeno terraço que se erguia sobre as águas, e sob a ponte de aço que atravessa o rio. É um terraço que lembra uma pequena sala, com três bancos dispostos em forma de U.
O banco central estava de frente para o rio, mesmo por baixo da ponte, e era ocupado por um homem e uma mulher. Os dois na lateral estavam vazios. Ocupei o da direita e quase em simultâneo um casal de meia-idade ocupou o da esquerda. Conhecia-os e por isso cumprimentei-os. E voltei a minha atenção para o casal desconhecido.
O meu lado detetivesco pôs-se a examiná-los e a fazer cogitações.
. Pareceu-me ver um ar de contrariedade no rosto masculino.
A mulher fazia renda, e parecia completamente absorvida pelo movimento da agulha.
Teria perto de quarenta anos, morena, de cabelo escuro, e vestia uma saia justa castanha, que só não lhe mostrava os joelhos, porque em cima destes repousava a renda que fazia. Uma tira larga, decerto para colcha ou toalha. Completava o traje, um camiseiro branco, que parecia saído do anúncio de um qualquer detergente.
O homem, parecia mais velho. Devia beirar os cinquenta, também moreno, cabelo castanho, tinha um ar simpático, vestia calça cinza, e camisa creme. Lançou-me um breve olhar, e voltou a interessar-se, pelos três filhotes de andorinha, que no ninho por baixo da ponte, piavam desalmadamente.
A mulher continuava a olhar o movimento das agulhas como se estivesse hipnotizada.
Estariam amuados?
Comecei a imaginar, uma briga, talvez por ciúmes, o homem além do ar simpático, tinha também um ar de malandreco. Imaginei o homem mirando alguma jovem bonita, quem sabe até a jovem da farmácia que tinha os mais lindos olhos azuis que algum dia presenciei, e a mulher sentindo-se humilhada, escondia na renda o seu desencanto.
Pouco depois, a andorinha mãe, passou veloz, num voo rasante junto à cabeça do homem, sentado no outro banco lateral. Assustado disse um palavrão, enquanto a mulher soltava uma sonora gargalhada. E logo disse:
-Que queres está apressada. Os filhotes estão com fome...
-E já falta um. Ontem eram quatro, hoje são só três. Um deve ter caído ao rio - disse o homem do banco da frente.
A mulher nem levantou os olhos, continuando a sua luta com a agulha de renda.
Então o homem levantou-se e foi embora.
A mulher levantou os olhos da renda, suspirou e sorriu para nós.
Aí percebi. Afinal todas as minhas conjecturas, não passavam mesmo de imaginação. Provavelmente o homem estaria a incomodar a mulher.
Pouco tempo depois um outro homem aproximou-se, e dando as boas tardes, beijou a mulher, que sorriu feliz.  Percebi a sua aflição anterior. Deduzi pela indumentária demasiado quente para o calor que estava, que o homem vinha do tratamento nas Termas, e que a mulher estava ali à espera que ele terminasse o tratamento, quando o homem com ar simpático e malandro a descobrira. A nossa presença, fez com que se sentisse frustrado e fosse embora, evitando assim um encontro desagradável.
E senti-me feliz...

Elvira Carvalho

6.8.13

HIROSHIMA






                                                                                          "Little - Boy"



Há precisamente 68 anos um bombardeiro B-29, denominado Enola Gay, tripulado pelo coronel Paul Tibbets Jr. a) de 30 anos lançou sobre Hiroshima a primeira bomba atómica, estranhamente designada de  "Little - Boy".  Militar de carreira Paul era piloto de experiência em bombardeio pois tinha participado em várias missões sobre a Alemanha.
Na Europa adivinhava-se o fim da guerra, recorde-se que a Itália assinara o armistício, os aliados por um lado e as forças soviéticas por outro marchavam em direção a Berlim infringindo aos alemães derrota atrás de derrota. Estava-se em Janeiro de 45, e acreditava-se que a guerra não duraria até ao Verão. Porém no oriente os sonhos expansionistas dos japoneses, mantinham-se mais vivos que nunca. Anos antes eles tinham atacado a base de Pearl Harbor,  o que levara os E. U. a declarar guerra ao Japão.
Depois os japoneses invadiram e tomaram as Filipinas, Singapura, Indochina, onde tinham o seu principal exército e de onde se preparavam para novas invasões. Foi então em Janeiro que os americanos escolheram Paul Tibbets e o começaram a treinar para o lançamento da bomba atómica. Na altura comandava um esquadrão das F. A. dos E. U. composto por 1500 homens.
No final de Abril, Paul e os seus homens foram transferidos para as ilhas Marianas, no Oceano Pacífico onde ficaram a aguardar a ordem de bombardear o Japão.  Apenas e só Paul sabia que aquele bombardeio seria diferente de todos os efetuados até aí. Talvez por isso ele decidiu dar o nome de sua mãe ao bombardeiro  B – 29 que tripulou.
Em 9 (?) de Maio de 1945, Keitel assinou a rendição alemã, e a guerra na Europa estava terminada.
A 11 de Julho,  os Aliados reuniram-se em Potsdam na Alemanha. Confirmaram acordos e reiteraram a exigência de rendição incondicional do Japão, afirmando que a alternativa para o Japão seria a rápida e total destruição.
Como o Japão continuou a ignorar os termos de Potsdam, foi dada ordem para o lançamento da bomba atómica sobre Hiroshima a 6 de Agosto de 1945. Nunca o homem tinha usado uma arma tão letal. Embora não se possam contabilizar com certeza absoluta as vítimas, já que 50 anos depois ainda fazia estragos, a maioria dos historiadores afirma que morreram 70 000 pessoas naquele dia, outras tantas até Dezembro desse ano, e muitos milhares, nos anos seguintes devido à radiatividade.
Três dias depois uma nova bomba é lançada sobre Nagasaki. Entre estas duas datas o Exercito Vermelho invade a Manchúria, dominada pelos Japoneses e infringe-lhes pesada derrota. Depois invade e captura a ilha Sacalina, e as ilhas Curilas.
A 15 de Agosto de 1945, o Japão se rende, embora os documentos de rendição só fossem assinados a 2 de Setembro.




A ) Paul Tibbets, faleceu em sua casa, no estado de Ohio, em 1 de novembro de 2007, com 92 anos de idade.
Até o fim de sua vida, Tibbets acreditou ter feito o necessário para acabar com a guerra e não demonstrou arrependimento pela bomba por ele lançada ser responsável pela morte de milhares de pessoas, no primeiro ataque nuclear contra seres humanos na história.

(?) Na verdade a rendição da Alemanha foi assinada pelo general Jodl, no dia 8 de Maio de 45 perante oficiais aliados. Porém Stalin ficou furioso e afirmou que a rendição teria que ser feita em Berlim onde tudo começou, e perante a União Soviética nem que fosse encenada. Daí que no dia 9 de Maio Wilhelm Keitel, marechal de campo alemão reuniu-se com o marechal da União Soviética que lhe apresentou o documento de rendição já preparado e lhe ordenou que o assinasse. Keitel obedeceu assinou e retirou-se.



Texto elaborado a partir de pesquisas na net.