29.4.13

FELIZ ANIVERSÁRIO SEXTA




NO LARGO DA MEMÓRIA, vivia uma mulher quase a figurar no estatuto dos idosos quando o filhote se casou e lhe deixou em casa o pc. Desejava dar um novo rumo à sua vida e COMEÇAR DE NOVO, sonhava com A VIAGEM da sua vida, mas não tinha  um PÉ DE MEIA, que lhe permitisse A PARTIR DA LUA entre LUZES E LUARES realizar esse sonho. Por MAGIA ou DE PROPÓSITO um dia resolveu mexer no computador e descobriu um mundo de SONHOS E ENCANTOS.

ÀS VEZES FIM DE SEMANA era visitada pelos sobrinhos, UMA MULHER FLOR, FLOR MULHER e seu marido que gostava de DIVAGAR SOBRE TUDO UM POUCO, e que lhe falou dos blogues, e lhe perguntou porque não criava um, onde pudesse postar EM PROSA E VERSO, o que tanto gostava de escrever. Ela sabia lá criar um blogue.  Ele abriu o computador e em pouco mais do que alguns MOMENTOS FRAGMENTADOS criou um blogue a que só faltava dar um nome que ela teria que escolher.  Como AVE SEM ASAS, numa ilha deserta, lembrou do Robinson Crussoe, e do seu companheiro índio e assim nasceu o SEXTA-FEIRA.

 Durante muito tempo, escrevi textos e poemas, falei DE TUDO UM POUCO A MINHA OPINIÃO,  mostrei fotos, e MEUS CONTOS que por AFECTOS E CUMPLICIDADES só a família lia.  Depois um dia alguém descobriu o Sexta. SERÁ QUE FUI EU que segui o rasto dessa primeira INTEMPORAL visita? A partir daí comecei a frequentar vários blogues, e SEGUINDO AS MINHAS PEGADAS fui visitada por muitos blogueiros, alguns dos quais conheci pessoalmente e são hoje bons amigos. Infelizmente esses blogues iniciais  estão praticamente todos inativos, REFLEXOS da absorção dos seus autores pelas redes sociais.

Problemas graves de saúde, que quase fizeram de mim A MÉDICA FRUSTRADA, e várias cirurgias, tornaram difíceis MOMENTOS MEUS que antes faziam  do meu CORAÇÃO TAGARELA, uma ROSEIRA BRANCA.

Depois o falecimento dos pais, e a doença do maridão, quase me fizeram abandonar não só este cantinho como todos os outros que fui abrindo mais tarde. ESCRITO A QUENTE no meu coração, ficou o  nascimento da neta, verdadeiro JARDIM FLORIDO, no canteiro dos meus sentimentos até aí apenas cheio de FOLHAS DE OUTONO.  

A sua presença constante na minha casa, (tomei conta dela até Outubro quando entrou na escolinha) fizeram de mim A ABUELA CRIS, deram-me um novo animo e voltei ao blogue e aos meus escritos. SÃO, dias de reencontro com os poucos amigos iniciais que resistem, como o ESTEBAN BLOG,  PITANGA DOCE, ÁGUAS DO SUL ou ZÉ POVINHO.  O paideleo virou LEOEOSSEUS  graças ao nascimento de uma bela menina. Intenso continua O CHEIRO DA ILHA.

Numa PAUSA PARA O CAFÉ, entrei na CASA DA ALQUIMIA, onde com UM OLHAR DE OURO, percorri o lugar procurando alguém conhecido. AMIGOS DEPORTUGAL e do Brasil escutavam em silêncio as MEMÓRIAS DE UMA SIMPLES MARIA.

Noutra mesa a ZAMBEZIANA, e a ÁFRICA EM POESIA, recordavam SINFONIA E SOL, que só o continente africano tem.

 Numa parede um XAILE DE SEDA é moldura para uma guitarra portuguesa. Na parede oposta o CASARIO DO GINJAL mostra todo o seu encanto numa grande tela a óleo. Sob a LUZ DE LUMA, uma FLOR DE LIS, insolitamente acompanhada por A PAPOILA.

 Junto ao balcão LIDACOELHO e VITORCHUVASHORTSTORIES, trocam vivências e histórias cada uma mais interessante que outra.

No regresso a casa, vi  O PÁSSARO IMPOSSÍVEL sobrevoando A CASA DAMARIQUINHAS.

 Antes de regressar aO MEU SOFÁ AMARELO ainda me cruzei com a BLUE SHELL passeando o RAFEIRO PERFUMADO. Curioso o hábito de o Rafeiro usar o PERFUME DE JACARANDÁ.


Um agradecimento especial  A TODOS OS QUE SE ENCONTRAM NA SIDEBAR  e que ao longo dos anos têm passado por este blogue. Não é por falta de consideração que não se encontram no texto, mas por falta de imaginação da minha parte. Obrigada a todos. Bem Hajam pelo carinho e pelo apoio.



24.4.13

25 DE ABRIL 1974 VERSOS 25 DE ABRIL 2013




 VENHO CONTAR-TE ESTRANGEIRO


Venho contar-te estrangeiro
do meu país
Portugal
Aos teus olhos tão estranhos vou mostrar-te
as aldeias esquecidas de Trás-os-Montes
onde os campos raquíticos não dão pão
Terras, só terras, sem água, sem luz
sem escolas
sem homens
que já se cansaram da fome
herdada
desde longínquas gerações.

Venho contar-te estrangeiro
do meu país
Portugal.
Aos teus olhos velados da cegueira
das campanhas turísticas.
Aos teus olhos que erram pelas praias
banhadas de sol.
Venho contar-te estrangeiro
As horas de incerteza e de angústia
vividas pelo meu povo
que pela fome, o mar tornou seu escravo.
E...venho contar-te mais
desta terra onde nasci...
Onde os homens nascem
vivem
e morrem
sem consciência de terem vivido.
Terra de homens-escravos
do tempo
das máquinas
do dinheiro
da própria Vida.

Venho contar-te estrangeiro
do meu país
Portugal.
Deste país que já não é  só de poetas
porque um dia
um punhado de homens acordou
quebrou as amarras do medo e lutou.
Era Primavera e os cravos floriram.
Na terra dos homens-escravos,
a Revolução nasceu.
               
Hoje festejamos a data!  

E por isso hoje  
Venho falar-te estrangeiro
no desalento  que mata a esperança
no desemprego enraízado no meu país
onde o povo envelhece desiludido
olhando as pétalas secas dos cravos.

Hoje venho contar-te estrangeiro
Que há velhos abandonados
Em aldeias esquecidas
entregues à solidão
e às  “aves de rapina”.
E acaso sabes que há crianças
que vão para a escola mastigando a fome?
E  que pela fome e pelo desemprego
os homens do meu País
voltaram a ser homens-escravos
e a encontrar na emigração
A fuga para a sobrevivência.

Por isso hoje,
venho falar-te estrangeiro
da revolta
Que me rasga o peito  
E me obriga a gritar.

EU QUERO UM PORTUGAL MELHOR
PARA TODOS OS PORTUGUESES.

 Elvira Carvalho


ESTE POEMA (SE ISTO É UM POEMA) É ASSIM UMA ESPÉCIE DE 2 EM 1. A PRIMEIRA PARTE FOI ESCRITA POUCO DEPOIS DO 25 DE ABRIL DE 74, E PUBLICADO A PRIMEIRA VEZ NUMA REVISTA EM 76. A SEGUNDA FOI ESCRITA AGORA. PORQUE ME APETECIA ESCREVER ALGO RELATIVO AO MOMENTO, MAS POR OUTRO LADO TIVE PENA DE DESTRUIR O QUE ANTES TINHA ESCRITO. POR ISSO FICOU ASSIM.


BOM FERIADO 

11.4.13

VIDAS CRUZADAS - PARTE VIII




Amigos estou de volta e hoje mesmo retomarei as visitas. Mas infelizmente o pc, não  está ainda bem. Parece que o mal será da memória que como está dentro da garantia terá que ir para a fábrica. Entretanto o técnico pôs-lhe uma memória que tinha lá mas que não é nova e que é inferior à que eu tinha. Dá para entrar nos blogues, espero que dê para entrar e comentar nos vossos, mas é muito lento. No entanto é melhor do que estar uma ou duas semanas sem pc.

8.4.13

UMA EXPLICAÇÃO

NO início de Abril O MEU VELHINHO PC que há dois  anos já tinha morrido e ressuscitou graças a uma placa  mãe e a memória nova, voltou a morrer. Desta vez foi o Hard  Disk. Morreu. E com ele a possibilidade de eu andar por aqui.. Levado ao tecnico e avaliado, ele disse-me que pondo um disco novo, o pc ficaria como novo, uma vez que as outras duas partes principais foram postas há dois anos.
Bom o pc ressuscitou de novo e parece estar bem. Porém como já duas vezes apareceu o quadro azul, ele desliga-se e liga-se de seguida com um quadro que diz

"O Windows recuperou de um encerramento inesperado.
O Windows deixou de funcionar correctamente devido a um problema.
O Windows notificá-lo-á se houver solução disponível"


Telefonei ao técnico que me disse para levá-lo amanhã sem falta para ver se descobre o que aconteceu..
Esta é a explicação para a minha ausência. Logo que possa estou de volta e iniciarei as visitas aos vossos blogues.



Tudo de bom para vós e até breve (suponho)

1.4.13

VIDAS CRUZADAS - PARTE VII




 Quando voltou, duas horas mais tarde, a tia Rosa já tinha chegado, com o seu inseparável Tomé, um gato siamês que quase não se mexia de tão gordo que estava. A mãe já estava com o almoço pronto para pôr na mesa. Depois de beijar a tia, comentou:
- Gordinho o bichano, tia.
- Que queres, ficou assim depois de castrado. Já me tinham dito, mas o malandro não parava em casa antes da operação.
- Coitado...
 – Vamos almoçar que se faz tarde – interrompeu a mãe com a terrina da sopa na mão.
O almoço foi servido com as duas mulheres sempre tagarelando. Absorto nos seus pensamentos, Pedro isolou-se da conversa e foi com sobressalto que sentiu a mão da tia no seu braço, seguida da pergunta:
- Não me estás a ouvir, rapaz?
 – Desculpe tia, estava a pensar nas férias...
 – Então vê se me arranjas por lá namorada, que eu bem sei o desgosto que a minha irmã sente de nunca mais te resolveres a criar o teu ninho. Sabes que és um caso raro na nossa família? Nunca ninguém esteve solteiro até à tua idade.
- Ora tia, quando chegar a hora, eu penso nisso...
 – Quando chegar a hora? Mas rapaz estás quase com trinta anos.
 
 Incomodado com o rumo da conversa, Pedro levantou-se dando o almoço por terminado.
- Vês o que fizeste, mulher? - A voz da mãe fez-se ouvir em tom de reprovação. - Por tua causa não comeu o suficiente.
- Ora essa! Mas eu não disse nada demais. Não me digas que o teu filho fez votos de castidade. Ora se ele não é padre...
 – Nada disso, minha mãe. Não quis comer mais para não me dar o sono a conduzir. Pelo caminho paro em qualquer lado e como mais alguma coisa. Vou pôr as malas no carro. A distância é grande, e a mãe sabe que não gosto de velocidades.
E dizendo isto voltou costas às duas mulheres, que continuaram a conversar. Tratou de meter a bagagem no carro e voltou para se despedir. Abraçou primeiro a tia, fazendo-lhe recomendações em relação à mãe, e por fim abraçou esta, apertando-a com força junto ao peito.
- Que se passa, filho? Sinto-te estranho desde ontem. Parece que me escondes alguma coisa.
- Nada mãe, é que é a primeira vez que vou de férias sem a sua companhia – enquanto tentava tranquilizar a mãe, não pôde deixar de pensar que coração de mãe não se engana nunca.
Arrancou e sem olhar para trás ergueu a mão num adeus. Sabia que as duas mulheres iriam estar ali acenando até o carro desaparecer na curva da estrada.


DESEJO-VOS UMA EXCELENTE SEMANA