10.12.13

JOANA - FINAL



Desesperada Joana procurou ajuda médica. Ricardo acompanhou-a, e fez com ela toda a panóplia de exames que o médico pediu. E quando os resultados chegaram, veio a confirmação de que ela era estéril. O médico explicou-lhe que talvez não fosse irremediável. Afinal agora havia uma série de medicamentos novos que já tinham resolvido muitos casos como o dela. Joana sentiu que alguma coisa morria dentro dela. Desde pequena que sonhava ser mãe. Sentir dia a dia uma pequena vida a crescer dentro de si. Sentir o fruto do seu amor nos braços.
Quis morrer juntamente com os seus sonhos. Nessa altura Ricardo impôs-se com o seu carinho a sua solicitude, e a sua esperança.
"Deixa lá, somos jovens podemos esperar. Desses tratamentos, algum há-de resultar, e um dia ainda temos o nosso bebé" dizia-lhe enquanto tentava esconder o seu próprio desânimo.
E já lá iam dez anos. Dez anos de luta, de tratamentos, de esperança, e desespero. Um dia, um outro médico falou-lhes em inseminação artificial. Apesar de ser caríssimo avançaram para a inseminação. Não resultou á primeira. Raramente resulta. Ricardo decidiu que não se iriam submeter a uma segunda. Era por demais dolorosa, aquela espera, aquele morrer da ilusão.
Foi pouco depois que começaram os pesadelos da Joana. No sonho ela via-se no cemitério a assistir ao funeral do marido. E acordava desesperada. Aconselhada por uma amiga, consultou um psiquiatra. Que lhe disse, que o que ela tinha era um medo inconsciente, de que devido ao facto de não ser mãe, o marido a deixasse. Esse medo era trazido á superfície durante o sono, com o pesadelo da morte do marido. Porque, - disse-lhe o psiquiatra, - a morte era a separação que ela temia. Aconselhou-lhe uma conversa franca com o marido e uma possível adopção.
Joana, não se importava de ter um filho adoptivo. Era uma criança a quem ela daria todo o imenso amor que lhe ia no peito. Porém pela primeira vez, Ricardo não esteve do seu lado. Ele negou-se redondamente a adoptar uma criança. Disse que se Deus não quisera dar-lhes um filho, que não iam afrontar a Sua vontade, que a amava da mesma maneira e outras coisas que nem se lembra. E desde então voltaram os pesadelos.
Limpou as lágrimas e voltou ao quarto, enquanto num recanto qualquer da memória, ouvia a voz da avó recitando uma passagem da Bíblia.
-Árvore que não dá fruto, corta-se pela raiz...

FIM
Maria Elvira Carvalho

17 comentários:

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Bom dia
E tantos casais assim ...quantos dramas ...tanta dor.
Penso que também existem casais capazes de ultrapassar tudo isto.
Conheço alguns e amam-se com mais força ainda do que seria normal.
Amam-se e respeitam-se porque a culpa não está só de um lado.

Ter e querer filhos hoje é um risco que sai muito caro e sem garantia de futuro.

Beijinhos e um Santo Natal

Bell disse...

Acredito que o sonho de toda mulher é ser mãe. A menina desde pequena brinca e cuida da boneca como se fosse um filhinho.
E a gente cresce com isso, vou casar, ter filhos e vamos ser felizes.
A bíblia traz a história de Ana (lembra muito a história acima), tinha um bom marido, um casamento abençoado, porém a madre dela estava fechada. E o marido dela falava igualzinho:
"Ana, por que choras? E por que não comes? E por que está mal o teu coração? Não te sou eu melhor do que dez filhos?" (1Sa 1:8)
Para piorar a situação naquela época os homens podiam ter mais de uma esposa. A outra zombava de Ana e procriava.
Ana não desistiu do seu sonho e o Senhor abriu a madre.
Não podemos desistir dos nossos sonhos, pq eles que nós impulsionam para vivermos milagres.


bjokas =)

Mariazita Azevedo disse...

Estive a actualizar-me.
Andei uns dias adoentada e pouco permaneci na Net; agora já estou melhor e pronta para enfrentar a luta do dia-a-dia.
Gostei muito deste seu conto.
O problema da Joana é muito mais comum do que se pode imaginar. Só na minha família (sobrinhas) há dois casos de adopção por motivo de infertilidade. Felizmente deu certo, e pais e filhos são muito felizes.

Um abraço
Mariazita
(Link para o meu blog principal)

Fátima Pereira Stocker disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fátima Pereira Stocker disse...

Elvira

É uma história em aberto, em que cada leitor pode escolher o seu final. Estamos em tempo de Natal, por isso, espero que o marido ceda ou que ela, como Santa Isabel, a estéril, venha a ser mãe de um S. João Baptista.

Beijos

Peço desculpa pelo comentário eliminado acima: estava a pensar numa certa pessoa

Luma Rosa disse...

Oi, Elvira!!
Filhos do coração são muitas vezes melhores filhos dos que os naturais. Imagina se José fosse contra a adoção? :)
Não podemos afirmar que Deus quis isso ou aquilo para nós. Muitas das coisas, nós mesmos escolhemos, mas no final, por certo existe um motivo para as coisas acontecerem e devemos atentar sempre para o positivo!
Boas festas!!
Beijus,

edumanes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
edumanes disse...

Joana sofria!...
Sonhos, pesadelos, ilusão
Porque ter filhos não podia
Do sofrimento heis a razão

O marido tinha razão
Deus não queria contrariar
Respeitante à adaptação!

Quanto à árvore que não dá fruto, corta-se pela raiz...
Não estou muito de acordo. Não dá fruto, mas pode ser muito útil a sua sombra!
Desejo uma boa noite para você, amiga Elvira. um abraço
Eduardo.

Emília Pinto e Hermínia Lopes disse...

Triste a história, pois toda a mulher deseja ser mãe. O fim, com a frase " Árvore que não dá fruto corta-se pela raíz " leva-me a várias conclusões. Espero que a Joana não tenha interpretado esta frase " à letra ". Bem...não seria o primeiro caso. Gostei muito da estória, aliás, como sempre. Beijinhos, Elvira e até sempre.
Emília

Vitor Chuva disse...

Olá, Elvira!

É uma história bem triste, esta: o não poder ser mãe quando tal muito se quer.Não só por estes motivos, mas também por outros, que por vezes se não conseguem ultrapassar.E que por vezes conduzem à culpabilização mútua, e muda ... e mesmo à separação do casal.
Que neste caso termina em suspense carregado de nuvens negras e com o fim em aberto - a ser escrito por quem lê.

Muito bem contada, mais uma história de vida.

Um abraço e bom resto de fim de semana.
Vitor

Francisco Germano Vieira disse...

Passei para deixar um grande abraço de desejos de um Feliz Natal e de um Ano Novo com saúde.

Mar Arável disse...

... entretanto...

o Natal vai começar de novo
com estrelas no chão

Bj

Joaninha Musical disse...

Fogo,que final bem triste,eu estava à espera que tudo corresse bem quando comecei a ler e afinal me desiludi. Maldita história essa da Joana!! Desejo-te boas festas. Tudo de bom para ti,beijinhos e fica com deus!!

Lilá(s) disse...

⋱ ⋮ ⋰ ♬♪ ⋯ ✰ ⋯ ♬♪ ⋰ ⋮ ⋱
Passando para desejar um FELIZ NATAL e um NOVO ANO repleto de muitas e grandes realizações.
Beijinhos

Mariazita Azevedo disse...

Na impossibilidade de dirigir a cada amiga/o uma mensagem de Natal personalizada, escrevi umas palavras muito simples mas bem significativas do meu sentir:

“Neste Natal gostaria de trazer-te:
O verde da árvore – a cor da Esperança;
E, das bolas coloridas:
- O vermelho – a cor do meu Amor fraterno;
- O azul – a cor da suavidade dos Anjos;
- O dourado – a cor da prosperidade que te desejo;
- O roxo – a tristeza que sinto quando não te vejo;
- O branco – A Paz que quero para a tua vida.
No tanger dos sinos ouve a minha voz pedindo protecção para ti e toda a tua família.
Seja onde for que te encontres deixa-me ser um pouco do teu Natal.
Mas… acima de tudo, desejo que, na tua noite de Natal, o “Menino” não tenha que perguntar:
- Então e eu? - (V. minha postagem de 27/12/2009 – NATAL DE QUEM?)

Mil beijos natalícios
Mariazita
(Link para o meu blog principal)

lucia bezerra de paiva disse...

Com a adoção, o final seria feliz!
Mas, só deve ocorrer a adoção quando é de comum acordo do casal.
Um abraço, Elvira,
da Lúcia

Dorli disse...

Oi Elvira,
O amor que se tem por um bebê adotivo pode ser até maior se fosse natural, digo isso, pois também não tive filhos e precisei esperar a idade para adotar um.
Fui preparando tudo e um garoto bem escurinho dos olhos verdes, quase morto caiu nas minhas mãos.
Hoje é um lindo homem, inteligentíssimo e bem sucedido na vida.
Quando ele tinha 2 anos meu marido morreu, casei-me novamente após 7 anos, mas a educação sempre foi prioridade minha.
Que amor! Quantos momentos felizes temos juntos.
Um Feliz Ano Novo
Beijos
Lua Singular