25.9.13

ENTRE DUAS DATAS - PARTE V






- Não digas isso meu filho. És jovem, e algum dia esquecerás, embora hoje isso te pareça impossível. E eu? Será que não pensas em mim, filho da minha alma?  
Havia lágrimas na voz e nos olhos da idosa. Estivera bastante doente, e ainda andava com dificuldade, razão porque chegara tarde.

- Eu também fiquei sem o meu homem, e Deus sabe como lhe queria. Mas que seria de ti, se eu me deixasse levar pelo desespero? Por ti tive de viver. Sofri muito meu filho. Santo Deus como sofri. E hoje, queres acabar comigo, acabando contigo.

Tinha-o apertado nos braços, e choravam. Mãe e filho abraçados comungavam da mesma dor. Clara ficou a olhá-los enternecida. Na verdade sempre tivera um fraquinho por Pedro, mas ele escolhera outra na hora de formar família.

- Mana, olha toda a gente já foi embora - disse a irmãzita, puxando-lhe a saia.

Era verdade. Mas Clara nem se apercebera.

- Mãe, mãe, perdoa-me. Mas sofro tanto. A frase saíu entrecortada, como se quisesse engolir o soluço que lhe apertava a garganta. 
- Mas olhe minha mãe não se preocupe. Eu julgava que tinha perdido tudo e não é verdade. A mãe precisa de mim e eu vou viver para si. Que Deus me perdoe a minha insensatez.

- Vamos Pedro. Já todos se foram embora. A tua mãe esteve doente, e ainda não pode abusar das forças. Vamos andando.

- Vamos sim filha. E tu, meu filho, dá-me o teu braço e ampara este velho corpo cansado.

Deram-lhe o braço, e cada qual do seu lado, ajudaram-na. Na frente dos três a irmãzita de Clara, tentava apanhar uma borboleta, cantarolando com a inocente alegria das crianças.

continua


Resto de boa semana para todos.

16 comentários:

esteban lob disse...

Sigo gozando con tu inacabable imaginación, estimada Elvira.

Abrazo.

São disse...

Estou esperando a continuação


Beijinho

✿ chica disse...

Vim deixar um beijo, até a VOLTA! CHICA

jorge esteves disse...

Claro, como já estava um tanto (para não dizer muito...) com as leituras, demorei-me um bom bocado, por aqui. E porque (as coisas são como são) os meus olhos se prenderam à memória fiquei-me a olhar para fotografia do 'Gazela'. Será que é o mesmo patacho que vi, mais do que uma vez, em Viana?... Talvez! Era uma beleza, era.
abraços,
jorgesteves

Vitor Chuva disse...

Olá, Elvira!

A criação da história, de tão bem conseguida,facilmente nos levas a imaginar as cenas aqui descritas.
Parabéns!

E cá ficamos à espera do resto.
Um abraço, boa semana.
Vitor

edumanes disse...

A mãe do Pedro tentava-o animar, mas a morte da sua amada não lhe saia do pensamento. Todavia, a Clara gostava do Pedro e com certeza tinha algumas esperanças que ele olhasse para ela e a ver vamos o desenrolar dos próximos capítulos.
Boa noite e um abraço para você, amiga Elvira.
Eduardo.

Andre Mansim disse...

Olá Elvirinha!
Esse capitulo foi bem leve... Espero as continuações!

Maria Luisa Adães disse...

E neste diálogo continuado
nos vai mostrando que ainda é cedo
e será sempre cedo...para acabar!

Bela, essa forma de olhar e escrever esse olhar
nos olhos deslumbrados dos Outros!

Com ternura, amei o encontro,

maria Luísa Adães

Maria Luisa Adães disse...

A encontrei em Esteban lob e li as tatuagens em antiga Lourenço Marques
e penso que as tatuagens feitas por eles seriam feitas de uma forma mais saudável e com ingredientes naturais.

Os Feiticeiros (médicos) sabiam mais do que nós!

Desculpe a intromissão e obrigada,

Maria Luísa

Lilá(s) disse...

Bom de ler! espero a continuação.
Bjs

Luma Rosa disse...

Oi, Elvira!
E Pedro saberá toda a verdade?
Um coração amargurado ficará mais ainda...
Beijus,

aflores disse...

Por aqui vou passando e lendo estes contos aqui partilhados e bem narrados.

Tudo de bom.

Emília Pinto e Hermínia Lopes disse...

Com certeza ele não sabe toda a verdade sobre a morte da mulher. Quando a souber talvez a dor diminua, ou antes, a ela juntar-se-à a raiva e esquecerá mais depressa. Veremos o que nos reserva o próximo capítulo- Beijinhos, Elvira e cá estarei para te " ouvir", sentadinha na 1ª fila.
Emília

Emília Pinto e Hermínia Lopes disse...

Com certeza ele não sabe toda a verdade sobre a morte da mulher. Quando a souber talvez a dor diminua, ou antes, a ela juntar-se-à a raiva e esquecerá mais depressa. Veremos o que nos reserva o próximo capítulo- Beijinhos, Elvira e cá estarei para te " ouvir", sentadinha na 1ª fila.
Emília

Magia da Inês disse...

¸.•°♡ Olá, amiga!♡♫° ·.

Lindo, quanta ternura!
É disso que o mundo precisa, amor!

Bom restinho de semana!
Beijinhos do Brasil. °º✿♫
♡♫°°º✿♫ ·.

LUZ disse...

Olá, Elvira!

Isso diz ele agora, mas a mãe, por ordem natural das coisas, partirá antes dele, e ele merece, faz-lhe falta, o amor de uma mulher, sincera e leal.

Irá acontecer mais cedo do que ele prevê, embora a Elvira tenha de colocar no conto algumas revelações, contratempos, desaparecimentos, como convém, numa narrativa, mas a autora é que sabe o caminho que as suas palavras seguirão.

Olha, eu a dar palpites, que não sei escrever coisas deste género.

Beijos para todos.