21.3.13

DIA 21 DE MARÇO - DIA DA POESIA


foto da net


POEMA PARA UM EMIGRANTE


Eu queria chamar-me Manuel
e viver tranquilo na minha terra
ir á tardinha com os amigos ao café
e falar do tempo sem pensar que a seca
trará a flor da fome às searas queimadas.


Eu queria chamar-me Manuel
e ter uma casa, água e luz,
poder fazer um filho livremente
sem pensar na subalimentação
física nem mental.


Eu queria chamar-me Manuel
ter emprego e não pensar
que os salários estão atrasados
e talvez o desemprego esteja á espreita
e a fome seja o jantar do próximo mês.


Eu queria chamar-me Manuel
e continuar a pensar Abril,
como a esperança da minha terra.
Eu queria chamar-me Manuel…
e sou apenas o emigrante.


Elvira Carvalho


PARA TODOS OS QUE POR AQUI PASSEM UM EXCELENTE DIA

15 comentários:

Fátima Pereira Stocker disse...

Elvira

Belíssima forma de honrar a poesia e homenagear o pai.

Aproveito para lhe desejar uma santa Páscoa. Estou de abalada.

Beijos

Emília Pinto e Hermínia Lopes disse...

Querida Elvira, vim aqui ver a homenagem ao teu pai depois que fizeste a visita ao Começar de Novo. Bela e comovente homenagem que fizeste ao teu pai, amiga! Fiquei emocionada e tive a confirmação do que sempre suspeitei; afinal aquele lutador da seca do bacalhau era o teu pai. Tens sim, amiga, de ter muito orgulho no pai valente que tiveste, um verdadeiro esteio que a vida só conseguiu derrubar aos 92 anos. Quisera eu que a vida me concedesse a Graça de ter o meu pelo menos até essa linda idade. Gostei muito também deste poema que fizeste para o dia da poesia, um dia que gostaríamos de festejar com verdadeira poesia, mas, infelizmente poesia não combina com barriga e Portugal tem fome...fome de respeito e consideração...fome de esperança e mesmo muita fome também de pão. Parabéns, Elvira e obrigada por este momento tão especial para mim. Boa noite, amiga!
Emília

Emília Pinto e Hermínia Lopes disse...

Esqueci de te dizer que o meu pai se chama Manuel; lutou toda a sua vida como taxista numa aldeia e fez tudo para que os seus dois filhos estudassem. Emigrou para o Brasil depois do 25 de Abril com o meu irmão já cadaso; meses depois abalei eu acabada de casar.. Hoje continua lá com o meu irmão e eu voltei para Portugal há 20 anos. Vidas de luta!!! Beijinhos, amiga
Emília

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Bom dia
Esta poesia é-me tão familiar que senti a dor de poder e não ter nada.
Senti-me vaguear nas ruas da amargura.

Não, não quero chamar-me Manuel, nem Luís ou outro nome do passado triste.

Quero que o Sol brilhe e a esperança me inunde a alma de forças para lutar e conseguir alcançar os meus sonhos de Paz e progresso.

A vida acontece.
Temos as armas nas nossas mãos e o desejo no coração.
Deus fará o resto.

Jorge P.G disse...

Parabéns pelo poema a Manuel!

Bom fim de semana e um abraço.

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Sinto que é como se você vivesse por si e por Manuel, seu pai. É lindo e triste, a um só tempo!
Ou seja: a homenagem é belíssima mas entristecida pela bruta realidade vivida.

Bom final de semana, Elvira
Um beijo, amiga!

Vitor Chuva disse...

Olá, Elvira!

Memórias com afecto e também amrgura dum tempo que se julgava ser passado, mas que tristemente de novo nos visita. Sendo muitas as diferenças entre o agora e o então, ainda assim são tantas as semelhanças...

Bonita homenagem ao Manuel seu pai, em dia dedicado aos poetas.

Um abraço; bom fim de semana.
Vitor

Nilson Barcelli disse...

Magnífico poema.
Muito actual e certeiro.
Elivira, minha querida amiga, tem um bom fim de semana.
Beijo.

Paulo Cesar PC disse...

Parabéns pelo poema querida Elvira. Como diz a letra de uma música; o poeta é a pimenta do planeta. Eu diria que ele é o remédio tranquilizador da alma. Um beijo no seu coração.

FireHead disse...

Em menos de duas semanas estarei longe de Portugal para uma nova fase da minha vida. Não, não me tornarei emigrante, pois na verdade vou voltar para a minha terra, Macau. Sou um português ultramarino. :)

LUZ disse...

Olá, estimada Elvira!

Como vão todos?

Mais um poema bem construído e com muito sentido.
Adapta-se, bem, em minha opinião aos anos 60/70, onde a emigração portuguesa foi enorme.

O tipo de emigração, de hoje, é completamente diferente, da dos anos que referi, embora o fator económico, continue a pesar.
Os emigrantes do século XXI levam na bagagem, muitos IPADs, Tablets, PCs, cultura académica, barriguinha cheia, etc. etc.

Bom fim de semana.
Beijos para todos.

Luma Rosa disse...

Oi, Elvira!!
Fizeste muito bem feito unir em uma poesia duas homenagens e ao mesmo tempo, fazer um protesto!!
Muito bom!
Bom fim de semana!!
Beijus,

Cesar S. Farias disse...

Manuel, esperança e sonhos caminham lado á lado em teus singelos versos, Elvira.
Uma bela semana!

abuelacris disse...

Besos Elvira

Olinda Melo disse...


Manuel...
Desejos tão simples e, contudo, tantas vezes difíceis de realizar.

Bjs

Olinda