29.12.12

FELIZ ANO NOVO

Tentei passar por todos os vossos espaços mas não é fácil,conseguir deixar em todos uma mensagem. Há sempre alguém que se esquece por causa das atualizações chego a um ponto que já me perdi. Coisas de velha. Assim sendo desejo a todos que por aqui passem um bom e divertido fim de ano e que 2013 seja aquele ano com que muitos sonhamos um ano de viragem em que o homem finalmente comece a olhar,
  amar e cuidar do seu semelhante como de si mesmo. Afinal mais de 2000 anos é tempo mais que suficiente para que o homem entenda que no mandamento de Cristo estava o caminho para um mundo justo e feliz.

Aproveito para agradecer a "velhos" amigos, bem como áqueles que foram chegando em 2012, pelo carinho e boa vontade com que me foram aturando e acompanhando durante este ano. Deus vos abençôe.


BOM FIM DE SEMANA
BOM FIM DE ANO
FELIZ ANO NOVO 

20.12.12

UMA HISTÓRIA DE OUTROS NATAIS


Re-edição
 foto do presépio da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro





Aproveito para agradecer ao J. R. Viviani do blogue "Vendedor de Sonhos" que organizou o
 1º  Contos e Prosas
um evento para divulgação de autores no qual tive a honra de participar com um conto sobre violência doméstica que alguns de vós já conheceis. 
A quem quiser e puder passar por lá é só clicar aqui
 

17.12.12

A HERANÇA PARTE VII



Faltavam poucos dias para o Natal. Naquela manhã, Mara deixara a avó em casa após a Missa e dirigiu-se à vila. S. Pedro do Sul era a sede de concelho e já uma vila de alguma dimensão. Talvez tivesse evoluído mais se as suas termas se encontrassem dentro da vila e não a três km do centro. Mas ainda assim era uma vila com alguma importância. Tinha escolas, tribunal, e cadeia. Uma estação de caminhos-de-ferro que ia encerrar em breve dizia-se. Bombeiros, igrejas, lojas. Claro que não se comparava a Viseu, ou Aveiro, mas ficava situada a onze km da casa da Avó, e Mara acreditava no futuro da vila. Tanto assim que estava firmemente decidida a instalar aí o seu escritório de advogada.
Ela terminara o Curso há quase três anos. Durante os últimos três estagiara no escritório de um dos mais eminentes advogados do Porto. Poderia ter continuado a fazer parte do grupo de advogados que trabalhavam sob as ordens do Dr. Morais. Poderia igualmente continuar a trabalhar no Porto, mas estabelecendo-se por conta própria. Mas ela entendia que tinha chegado a hora de regressar às origens. E as suas origens eram a casa da avó, onde passara grande parte da sua vida. Como a aldeia era pequena, o sítio ideal para se estabelecer seria pois S. Pedro.
Naquele dia Mara dirigiu-se à vila por duas razões. Desejava ver como estavam as obras de montagem do seu escritório, e percorrer as montras já todas engalanadas para a festa de Natal, na esperança de encontrar o que queria para as prendas e não ter que ir a Viseu.
Foi almoçar ao Hotel Vouga, nas termas, pois gostava muito do restaurante, e gostava de almoçar vendo o rio ali mesmo ao lado.
De tarde voltou a S. Pedro. Estacionou o carro nas traseiras de Câmara, e vendo que a Igreja do Convento estava aberta entrou uns momentos. Não por religiosidade, mas por curiosidade, pois sempre que lá passava, a porta estava encerrada. Depois deu a volta, passou pela frente do edifício camarário, atravessou o jardim, deitou uma olhadela rápida ao tribunal, pensando que aquele seria um dos seus locais de trabalho no futuro, e dirigiu-se ao café em frente onde tinha combinado encontrar-se com o decorador, para ver os croquis do seu futuro escritório.
Durante uma hora, viu os desenhos, contestou pontos, combinou cores para reposteiros, e estofos. Por fim despediu-se do decorador, e dirigiu-se ao carro. Acabara de o pôr em movimento quando viu uma figura conhecida, sair do prédio em frente. A mulher era a Piedade.
E o edifício era a prisão, muito embora se parecesse mais com uma escola do que com uma prisão. Era um edifício de dois pisos, em tudo semelhante às escolas do primeiro ciclo que existem por esse país fora. Apenas as grades nas janelas, o tornavam diferente.
Então é aqui que ele está – pensou.
- Quer uma boleia? - Perguntou parando o carro ao lado da mulher
- Obrigada, menina. Tenho aqui o bilhete, – respondeu envergonhada sem a olhar de frente.
Mara ficou a vê-la afastar-se pensativa. Os carros a apitar atrás de si sobressaltaram-na. Pôs o carro em marcha e dirigiu-se a casa.
Parou o carro sob o alpendre e retirou os vários embrulhos que trouxera. Na sala a avó parecia absorta na leitura.
- Correu tudo bem? Estão adiantadas as obras? - Perguntou ao ver a neta entrar carregada de embrulhos
- Não tanto, quanto eu gostaria. Vi a Piedade. Ofereci-lhe boleia, mas preferiu vir no comboio.
Logo contas-me o resto da história? - Perguntou, enquanto punha os embrulhos no chão, por baixo da árvore de Natal.
A avó não respondeu.
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 Depois do jantar, sentaram-se como de costume junto à lareira. Era o momento esperado por Mara para que a avó continuasse a história da Piedade.
- Quando os polícias se foram o que fez a Piedade? - Perguntou
- Nada. Piedade continuou levando a mesma vida de sempre, trabalhando no campo e cuidando do filho. O tempo passou e menino fez-se um rapazinho e foi para a escola. Deves lembrar-te dele, andaram juntos.
Ela assentiu com a cabeça, mas não disse palavra. Depois de um silêncio a avó continuou.
- O rapaz era esperto. Mas as crianças às vezes são cruéis umas com as outras. As crianças nunca aceitaram bem o Jaime. Era o filho do "cigano", que era um ladrão. E o feitio introvertido do rapaz, também não ajudava. Piedade, essa vivia com o coração nas mãos. O filho era o retrato vivo do Zé. O mesmo sorriso, os mesmos olhos verdes, o mesmo ar altaneiro do pai. Creio que o maior medo dela era que o filho se transformasse noutro Zé Bento, para acabar com a sua vida. Por isso, quando um dia faltou um estojo de desenho a um colega, todos os outros meninos acusaram o Jaime. E quando depois de ele protestar que não tinha sido, a professora quis examinar as suas coisas, o rapaz fugiu, e isso foi como se assinasse uma confissão de culpa.
Mandaram chamar a mãe que se debulhou em lágrimas.
Em casa, o rapaz afirmava não ter visto o estojo, e havia tal dor nos seus olhos que a mãe acreditou.
Mara cerrou os olhos. Lembrou aquela tarde, quando ele chegara perto dela, e dissera:
- Não me interessa o que dizem os outros. Não fui eu. Acredita, eu não roubei nada.
E ela estúpida respondera:
- Mas então quem foi? Mais ninguém é...
- …filho de ladrão, – disse ele voltando-lhe as costas. E desde aí nunca mais olhara para ela.
- Em que pensas, filha?
- Nada avó. Continua por favor.
- Uns dias depois a mãe do outro catraio apresentou-se na escola. Tinha encontrado o estojo do filho caído atrás da cama. A professora pediu muitas desculpas à Piedade e ao filho, pediu para ele voltar à escola, mas o rapaz nunca mais lá foi.
O Padre Miguel arranjou maneira de ele ir para o seminário. Foi lá que ele estudou. Agora filha vou-me deitar. Não gosto de me deitar tarde.
- Boa noite avó. Vá descansada eu vejo as janelas e a lareira antes de ir.
- Até amanhã então.

Continua

 Uma boa semana para quem por aqui passar

   REGISTO  6390/2011
 

ESTA É UMA HISTÓRIA QUE GOSTARIA DE  PODER PUBLICAR EM LIVRO  E QUE SE ENCONTRA DEVIDAMENTE REGISTADA. ESPERO QUE VENHAM A GOSTAR DELA. SERÁ PUBLICADA EM EPISÓDIOS DE 3 EM 3 DIAS. ENTRETANTO INFORMO QUE A HISTÓRIA DO MANUEL NÃO TERMINOU, MAS PRECISO DE MAIS TEMPO PARA AS MINHAS PESQUISAS SOBRE A HISTÓRIA, PELO QUE RETOMAREI A PUBLICAÇÃO LOGO QUE TERMINE ESTA HISTÓRIA.



14.12.12

A HERANÇA - PARTE VI



FOTO DA NET

Três dias depois Mara voltou a pedir à avó a história da Piedade. Esta olhou-a admirada, naqueles três dias a neta levara o tempo no computador. Escrevera algumas cartas, e não perguntara uma só vez pela história. Ela pensava que a neta se tinha esquecido. Mas agora...
- O que queres saber?
- Tudo. Desde que o Zé voltou e foi viver junto com a mulher e a sogra.
- Pensava que já tinhas esquecido essa história...
Ela fez um sinal vago com a mão. E a avó recomeçou a história.
-"Durante uns três meses o Zé realmente parecia outro homem. Foi o tempo que ele levou até descobrir que as economias da sogra não eram grande coisa, visto que o marido antes de morrer, resolvera empregar parte delas na compra do lameiro. Já era um revés para o malandro, mas ainda assim ele precisava saber onde estava o resto. E no mesmo dia em que o descobriu, fugiu de casa deixando as pobres mulheres mais pobres ainda.
Um mês mais tarde, descobriu-se que "o cigano" fora preso na fronteira. A polícia recuperara apenas parte do montante roubado em mais um assalto realizado na última semana.
Piedade arrancou das suas entranhas, forças para ir vê-lo à prisão. Mas quando isso aconteceu, o Zé riu-se. Riu-se dela, do seu amor, da sua ingenuidade, e disse-lhe que só tinha voltado para casa, porque pensava que o estupor da velha tinha bastante dinheiro guardado.
Ela saiu de lá arrasada. Não fora o filho que em segredo carregava no ventre, e teria acabado com a vida, logo ali na saída da cadeia.
A vergonha era tanta, que se meteu em casa e ninguém a via a não ser regando ou sachando lá pelo lameiro. Não veio à vila, nem sequer quando sentiu as dores do parto. Teve o filho sozinha, apenas ajudada pela mãe.
O filho ainda não teria um ano quando a polícia foi de novo a casa da Piedade.
Quando os viu, ela ficou apavorada. Que fora agora? O que é que eles queriam? O Zé não estava preso? Preso? Não. "O cigano" estava morto. Conseguira fugir, ainda não se sabia se com a ajuda de alguém. Conseguira uma arma, não se sabia se roubada, e assaltara uma dependência bancária. Alguém dera o alarme e a casa foi cercada. Depois, numa troca de tiros, uma bala acabara com a sua vida. Um polícia também tinha sido ferido e estava naquela altura a ser operado no Hospital de Coimbra, para onde tinha sido transferido.
Quando eles saíram Piedade, ficou longo tempo parada fitando o vazio, sentindo o coração apertado, mas sem forças para chorar.
O choro do bebé, que acordara fez com que por fim voltasse à realidade.
Durante um bom bocado reinou o silêncio. Arminda acabara as suas tarefas, e aprestava-se para sair. Ocupava uma pequena casa nas traseiras, que noutros tempos servira como arrecadação, mas que o marido transformara numa casa de habitação, quando o patrão morrera, para que a senhora e a menina, que nessa altura era bem pequenina ainda, ficassem sob a sua protecção.
Ajeitou a lenha na lareira, suspirou e pegou no xaile:
- Até amanhã – disse
- Até amanhã – responderam as duas.
O silêncio voltou a reinar na sala. Mara olhava as chamas e parecia perdida nos seus pensamentos. A avó levantou-se:
-Também vou filha. Se deixo passar a minha hora, depois não durmo toda a noite. Não te esqueças de apagar a lareira e verificar as janelas antes de ires para a cama.
Ela levantou-se, enlaçou a avó pela cintura, deu-lhe um beijo na testa, e disse:
- Não te preocupes. Dorme bem. Mas não te esqueças...
- Eu sei, queres saber o resto da história – resmongou a velha senhora.
E saiu, deixando a neta perdida nos seus pensamentos.

                                                   
CONTINUA 

UM BOM FIM DE SEMANA A QUEM POR AQUI PASSAR



 REGISTO  6390/2011
 

ESTA É UMA HISTÓRIA QUE GOSTARIA DE  PODER PUBLICAR EM LIVRO  E QUE SE ENCONTRA DEVIDAMENTE REGISTADA. ESPERO QUE VENHAM A GOSTAR DELA. SERÁ PUBLICADA EM EPISÓDIOS DE 3 EM 3 DIAS. ENTRETANTO INFORMO QUE A HISTÓRIA DO MANUEL NÃO TERMINOU, MAS PRECISO DE MAIS TEMPO PARA AS MINHAS PESQUISAS SOBRE A HISTÓRIA, PELO QUE RETOMAREI A PUBLICAÇÃO LOGO QUE TERMINE ESTA HISTÓRIA.

12.12.12

A HERANÇA - PARTE V




 Horas mais tarde, no seu quarto Mara tirou a carta do bolso, e finalmente abriu-a. E leu:

"Mara, como não deste notícias desde que estás com a tua avó, permite-me lembrar que a minha festa de aniversário é no próximo sábado, e espero a tua presença."

Assim fria, quase telegráfica, sem qualquer alusão ao parentesco que as unia era a carta da mãe. Mara sorriu, mas nesse sorriso não havia alegria. A mãe não estava preocupada com ela, nem com o seu bem-estar.  Estava preocupada, que ela se esquecesse da sua festa. A mãe sempre fora assim. Nunca soubera lidar com os problemas, como também nunca soubera lidar com a filha. Mara não se lembrava do pai. Falecera de enfarte aos vinte e sete anos, quando Mara contava 18 meses. A mãe ficara desorientada, e a sogra fora buscar a menina para sua casa. A mãe entregou a filha com algum alívio. Ela não tinha a certeza de ser capaz de cuidar da filha.
Jovem, e bonita Júlia não ficou muito tempo carpindo a viuvez. Mara tinha acabado de completar quatro anos, quando a mãe se casara de novo.
Nessa altura, Mara pensou que a mãe a vinha buscar, mas enganou-se. O marido era um homem de negócios, viajava muito, e não era aconselhável para uma criança essa vida. Com esse argumento, a filha continuou em casa da avó, e ela podia levar a vida fútil que tanto desejava.
A jovem rasgou a carta, e dirigindo-se à cómoda, pegou numa moldura, em que se via um casal jovem com uma bebé ao colo e olhou-a por momentos. Fechou os olhos e tentou imaginar como teria sido a sua vida se o pai não tivesse morrido tão jovem. Decerto não se teria sentido tão só durante toda a sua infância. As recordações atropelavam-se na sua mente, e ela viu-se no pátio da escola. Viu um grupo de meninas e meninos brincando no recreio, e viu-se sozinha, sentada no canto. Ela não era criança de vir brincar para a rua, só se viam no pátio da escola, e além disso morava na casa grande, era menina fina. Por isso as outras crianças não iam buscá-la para brincar. E lembrou-se de Jaime. Jaime era um menino lindo, mas estava sempre sozinho como ela. A ele também não iam buscar para brincar. Um dia foi até ele e perguntou:
- Não vais brincar?
Ele levantou para ela os mais belos olhos verdes que já vira e disse elevando a voz.
- Não.
Virou-lhe as costas. Ela ficou a olhar para ele. Estava limpo, mas não vestia roupas como as suas. Os pais deviam ser da aldeia. Então porque não brincava com os outros meninos?
Algum tempo depois quando ela já fizera amizade com os outros meninos, e brincavam no recreio, Mara voltou a ver o menino sozinho. Largou a roda e foi até ele.
- Vem brincar
- Não.
E de novo lhe virou as costas.
A jovem pousou a moldura, abriu a janela, e sem reservas deixou que as recordações a invadissem.
Naquele dia era a festa de Natal. Mara ia recitar um poema, alusivo ao Natal, e ia fazer de anjo na representação do nascimento do Menino Jesus. Mais do que contente, ela estava orgulhosa de ter sido escolhida. A mãe prometera que viria a tempo de assistir à festa, e ela estava muito feliz.
Era a primeira vez, desde que voltara a casar, que a mãe prometera passar o natal com ela e a avó. Porém a mãe não chegou até à hora da festa. Desiludida, mas ainda pensando que a mãe ia chegar a qualquer momento, ela recitou sem se enganar, o pequeno poema que lhe fora atribuído. Depois, foi vestir o fato branco e colocar as asas para o papel de anjo no quadro do nascimento que encerrava a festa.
Esperançada em ver a mãe chegar, saiu para o pátio. Mas cá fora estava tudo em silêncio. Mara sentou-se num degrau e deixou brotar a sua tristeza em grossas lágrimas.
Sentiu que alguém se sentava a seu lado.
- Porque choras?
Antes de olhar sabia que era o Jaime. Olhou e viu naqueles extraordinários olhos verdes a mesma interrogação
- Porque estou triste, porque a minha mãe não gosta de mim, porque nunca me vem ver.
- Não chores. Meninas bonitas não choram.
 Estendeu a mão, endireitou-lhe as asas e disse baixinho.
- Vai para dentro. Se o anjo não faz o anúncio, o Menino não nasce. E tu não queres isso pois não?
Ela fez um sinal negativo com a cabeça. Não se atrevia a falar tão surpresa estava com a súbita amabilidade do rapaz. Ele passou-lhe o indicador pelo queixo e disse:
- Entra.
Ela obedeceu, mas por mais que o procurasse com o olhar durante a récita, nunca o encontrou.



REGISTO  6390/2011

 
CONTINUA 

ESTA É UMA HISTÓRIA QUE GOSTARIA DE  PODER PUBLICAR EM LIVRO  E QUE SE ENCONTRA DEVIDAMENTE REGISTADA. ESPERO QUE VENHAM A GOSTAR DELA. SERÁ PUBLICADA EM EPISÓDIOS DE 3 EM 3 DIAS. ENTRETANTO INFORMO QUE A HISTÓRIA DO MANUEL NÃO TERMINOU, MAS PRECISO DE MAIS TEMPO PARA AS MINHAS PESQUISAS SOBRE A HISTÓRIA, PELO QUE RETOMAREI A PUBLICAÇÃO LOGO QUE TERMINE ESTA HISTÓRIA.