9.11.12

POEMA PRA UM EMIGRANTE



Poema para um emigrante


Eu queria chamar-me Manuel
e viver tranquilo na minha terra
ir á tardinha com os amigos ao café
e falar do tempo sem pensar que a seca
trará a flor da fome ás searas queimadas.


Eu queria chamar-me Manuel
e ter uma casa, água e luz,
poder fazer um filho livremente
sem pensar na subalimentação
fisica nem mental.


Eu queria chamar-me Manuel
ter emprego e não pensar
que os salários estão atrasados
e talvez o desemprego esteja á espreita
e a fome seja o jantar do próximo mês.


Eu queria chamar-me Manuel
e continuar a pensar Abril,
como a esperança da minha terra.
Eu queria chamar-me Manuel..
e sou apenas o emigrante.

elvira carvalho


BOM FIM DE SEMANA

17 comentários:

Observador disse...

Muito bonito, Amiga Elvira.

Um abraço e votos de um bom fim de semana.

edumanes disse...

Poema para um emigrante
Escreveu amiga Elvira
Da sua pátria distante
Emigrante triste vivia!

Trabalhando noite e dia
Sua pátria deixou
Para enriquecer outra economia
Da triste partida lágrimas derramou!

Bom fim de semana para você,
amiga Elvira,
um abraço
Eduardo.

Celina disse...

OI ELVIRA, PAZ PARA TODOS, JA NÃO TINHA RESPONDIDO O TEU GENTIL COMENTÁRIO, CHEQUEI DE VIAGEM E FUI BOTAR UM POUCO DE ORDEM NA CASA. MUITO OBRIGADA AMIGA, UM FINAL DE SEMANA FELIZ . ABRAÇOS CELINA

Severa Cabral(escritora) disse...

Boa noite minha querida amiga !!!!!
Muito bom passar por aqui...na suavidade dos teus dias consegues transformar histórias vividas em histórias reais ...com grande definição...
bjs de boa noite !!!!!!!

António Querido disse...

Tanto de lindo, como de arrepiante o seu poema amiga Elvira...Lindo porque me fez recordar o meu tempo feliz como emigrante! Arrepiante porque mais uma vez, recuámos no tempo e os nossos jovens, são forçados a abandonar o seu país e suas famílias, por falta de condições de vida, minimamente aceitáveis.
Deixo o meu abraço

aflores disse...

Eu queria, todos queremos... esperança.

Tudo de bom.

vendedor de ilusão disse...

Lindo e inspiradíssimo poema, Elvira; meus parabéns!

Nilson Barcelli disse...

É cada vez mais difícil ser Manuel neste país...
O teu poema é magnífico. Gostei muito, Elvira.
Um abraço, querida amiga.

Duarte disse...

Ao ler este conjunto de versos teu, plenos de sentimento e que me fizeram regressar no tempo, sim, também fui imigrante.
Ao mesmo tempo recordei "Diario de un emigrante" de Miguel Delibes, e também "El emigrante" de Juanito Valderrama, que maravilha! que sentires! Tudo fruto duma vida vivida intensamente.
Como a vida é ciclica voltamos à era emigrante... como dói!

Abraços de vida, querida amiga

Vitor Chuva disse...

Olá, Elvira!

Bem se poderia chamar do poema do desencanto e da descrença, comum a cada vez maior número de Manueis desta terra." e a fome seja jantar do próximo mês", é expressão mais eloquente de muitos medos...neste bem construído poema.

Abraço amigo; boa semana.
Vitor

rosa-branca disse...

Ai amiga, também eu queria chamar-me Maria e não ter que pensar em nada, mas pelos vistos até iremos pagar e com juros, o nome que temos. Um grito de revolta que deixa triste a alma. Quanto ao meu perfil, já está à vista. Também andei à procura e estava do lado direito, entre as rosas e antes dos blogues, que estou a seguir. Coisa de amadores é no que dá. Estou a falar de mim claro, pois de quando em vez ainda ando à pesca. Beijos com carinho

Emília Pinto e Hermínia Lopes disse...

Sempre fomos país de emigrantes e continuamos a ser, embora de uma emigração diferente, com mais formação e que, infelizmente a vai levar para outras bandas; eu mesma fui emigrante e fui muito feliz no País que me acolheu, o Brasil. Somos ainda um país de imigrantes, embora, estes, coitados, estejam agora também a regressar aos seus países, pois aqui já não estão a ter trabalhos. Enfim...é e sempre foi uma tristeza termos que deixar a nossa pátria para procurarmos melhores condições noutras paragens. Elvira, parabéns pelo belo poema. Um beijinho e desejo-te uma bela semana
Emília

FireHead disse...

Não tarda muito estou eu a deixar este país, mas de volta à minha terra (Macau). Não sou estrangeiro por lá nem aqui, uma vantagem que poucas pessoas se podem orgulhar de ter.

Maria disse...

Querida Elvira:
Manuel, sempre Manuel, o pai amado sempre presente, mesmo quando não fala dele. Compreendo-a tão bem. É assim que me acontece com o meu.
O poema é belíssimo.
Beijinho
Maria

Tintinaine disse...

Este poema parece que foi escrito para mim! O meu nome é Manuel, fui emigrante na minha juventude e mostra a Póvoa de Varzim na fotografia. Que mais podia eu pedir?

Elisa Bernardo disse...

Muito muito bonito Elvira!
Beijinho
elisaumarapariganormal.blogspot.com

lua singular disse...

Oi Elvira
Lindo e triste essa triste situação de um lindo país.
O meu país também está caminhando para o caus...
Minicontista2
Beijos
Lua Singular