30.4.07

cansaço

Estou cansada
dos homens que adormecem ao sol
como lagartos.
Estou cansada dos ideais esquecidos
condenados sem nenhum recurso
nas mentes abarrotadas de ambição
dos líderes políticos.

Estou cansada
das aldeias de terras abandonadas
regadas
pelas lágrimas ardentes
das mulheres saudosas.
Estou cansada de crianças sem pai
que não sabem rir
porque ainda não têm pão.

Estou cansada
dos operários submergidos no desespero
dos salários em atraso,
que tornam caricato o pensamento
dum sol que nasce igual para todos.
Estou cansada
das mulheres que não têm noites de amor
desaparecidos os seus homens
no mar da emigração.

Estou cansada
das promessas das campanhas eleitorais
e das promessas a longo prazo, dos governos eleitos.

( -Tão a longo prazo que não chegam nunca -)
Estou cansada desta hipocrisia
que corre em linhas de incerteza
nos lábios dos homens sem tempo
nem idade.


Porque amanhã é o 1º d Maio, e as ruas se vão encher de manifestações ao trabalhador, eu
coloco aqui hoje estas linhas, porque acho que o trabalhador não precisa de um 1º de Maio para ser lembrado mas de 364 dias mais.

29.4.07

Poema para um emigrante

Eu queria chamar-me Manuel
e viver tranquilo na minha terra
ir á tardinha com os amigos ao café
e falar do tempo sem pensar que a seca
trará a flor da fome ás searas queimadas.

Eu queria chamar-me Manuel
e ter uma casa, água e luz,
poder fazer um filho livremente
sem pensar na subalimentação
fisica nem mental.

Eu queria chamar-me Manuel
ter emprego e não pensar
que os salários estão atrasados
e talvez o desemprego esteja á espreita,
e a fome seja o jantar do próximo mês.

Eu queria chamar-me Manuel
e continuar a pensar Abril,
como a esperança da minha terra.
Eu queria chamar-me Manuel...
e sou apenas o emigrante.


elvira