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O ano passado , fiz um post sobre as origens deste dia, e incluí o poema MEU MAIO de Vladimir Maiakovski.
Este ano porém a inspiração tem-me faltado. Talvez devido a factos pessoais que me têm tornado difíceis os últimos tempos, talvez porque o pobre trabalhador tem cada dia menos razões para comemorar qualquer coisa. Infelizmente , aquilo que devia ser um direito de todos, - o trabalho - transformou-se num artigo de luxo a que cada vez menos gente tem acesso. Os ex-trabalhadores perdem-se em longas filas no centro de emprego, os filhos vão para a escola sem comer, e até correm o risco de perder as casas por não conseguirem pagar as prestações.
E o dia que devia ser uma comemoração de direitos adquiridos, é cada dia mais uma jornada de luta, por direitos sonegados em nome de uma crise, que não é para todos.
Deixo-vos um poema meu. Postado o ano passado no "Coisas Minhas", alguns de vós já conhecereis, mas é o que me ocorre.
HOJE COMO ONTEM
Hoje como ontem companheiro
queremos encontrar a verdade,
a saída para esta angústia
que grassa
as nossas feridas ainda mal cicatrizadas.
Hoje como ontem companheiro
os homens não são homens.
São brancos, pretos, amarelos
são ricos, remediados e mendigos,
são exploradores ou explorados
são chineses e ciganos
polícias e ladrões
mas não são homens...
Hoje como ontem companheiro
temos que encontrar o caminho
que há lobos esfaimados à nossa volta
esperando implacáveis o momento
de nos destruir.
Mas hoje como ontem companheiro
as nossas mãos unidas hão-de gritar
a nossa força.
Ainda que o medo sele os nossos lábios
ainda que a raiva cegue os nossos olhos
ainda que nos queiram algemar o pensamento
as nossas mãos unidas
ninguém há-de separar.
elvira carvalho