Depois de algumas voltas pela rua, para se acalmar, Paulo entrou em casa. A figura franzina da mãe, saiu da cozinha, e veio ao seu encontro.
- Até que enfim, filho. O jantar está pronto há mais de uma hora
Agarrou na mão do filho e perguntou alarmada:
- Que se passa? Tens as mãos a tremer...
Levando-a pela mão, conduziu-a ao sofá.
- Deixe lá o jantar, minha mãe. Preciso contar-lhe tudo o que me atormentou nos últimos meses. Mas antes quero que me prometa, que não vai ficar aflita. Com a Graça de Deus, já tudo passou.
- Filho...
Havia um tal temor na voz da mãe, que ele acrescentou:
- Não fique assim. Ou então não lhe conto nada. Não há nada a temer, agora tudo está bem.
E então o jovem falou. Contou tudo, desde o primeiro momento, falou da sua dor, da sua raiva, do medo de a deixar sozinha, de se ter despedido do emprego, da viagem para casa da tia, de como conhecera Rita, de quanto a amava, da maneira como fugira da casa da tia, para que ela não soubesse o que se passava, da sua ida ao médico naquele dia, das análises trocadas, de tudo enfim que o atormentara nos últimos três meses. A mãe ouvia-o, e as lágrimas corriam silenciosas pelas suas faces enrugadas, enquanto os pensamentos se lhe atropelavam no cérebro. Pobre filho, quanto sofrimento, e ela, que raio de mãe era ela, que não fora capaz de descobrir nada de grave na sua súbita decisão de mudar de ares? Por fim a voz do filho silenciou. Ela abraçou-o com força, e o soluço que estivera preso no seu peito irrompeu, sonoro como trovão em tempestade de Inverno.
- Então mãe, acalme-se. Compreende agora que eu viaje amanhã cedinho para as Termas? A Rita vai-se embora no Domingo. Amo-a mãe. Não quero perdê-la.
E depositando um beijo na testa da mãe, acrescentou:
-Tenho a sensação D. Maria, que a senhora vai ter a nora que há tanto tempo pede.
Um sorriso rompeu no rosto materno, como raio de sol em dia de chuva. Ela ergueu a mão, e acariciou-lhe os cabelos, com a mesma ternura com que o fazia em criança, quando o filho procurava a sua cumplicidade, nalguma travessura.
- Vai descansar, filho. Já é tarde e tens que levantar cedo. A viagem é longa.
Obedecendo, o jovem levantou-se, e dando um beijo na face enrugada, murmurou:
- Boa noite, mãe. Durma bem.
- Deus te abençoe meu filho. Que os anjos velem o teu sono.
Ao regressar à cozinha, Maria deu-se conta de que não tinham jantado. A mesa continuava posta, esperando a hora que já passara há muito. Encolheu os ombros, apagou a luz e foi-se deitar.
- Até que enfim, filho. O jantar está pronto há mais de uma hora
Agarrou na mão do filho e perguntou alarmada:
- Que se passa? Tens as mãos a tremer...
Levando-a pela mão, conduziu-a ao sofá.
- Deixe lá o jantar, minha mãe. Preciso contar-lhe tudo o que me atormentou nos últimos meses. Mas antes quero que me prometa, que não vai ficar aflita. Com a Graça de Deus, já tudo passou.
- Filho...
Havia um tal temor na voz da mãe, que ele acrescentou:
- Não fique assim. Ou então não lhe conto nada. Não há nada a temer, agora tudo está bem.
E então o jovem falou. Contou tudo, desde o primeiro momento, falou da sua dor, da sua raiva, do medo de a deixar sozinha, de se ter despedido do emprego, da viagem para casa da tia, de como conhecera Rita, de quanto a amava, da maneira como fugira da casa da tia, para que ela não soubesse o que se passava, da sua ida ao médico naquele dia, das análises trocadas, de tudo enfim que o atormentara nos últimos três meses. A mãe ouvia-o, e as lágrimas corriam silenciosas pelas suas faces enrugadas, enquanto os pensamentos se lhe atropelavam no cérebro. Pobre filho, quanto sofrimento, e ela, que raio de mãe era ela, que não fora capaz de descobrir nada de grave na sua súbita decisão de mudar de ares? Por fim a voz do filho silenciou. Ela abraçou-o com força, e o soluço que estivera preso no seu peito irrompeu, sonoro como trovão em tempestade de Inverno.
- Então mãe, acalme-se. Compreende agora que eu viaje amanhã cedinho para as Termas? A Rita vai-se embora no Domingo. Amo-a mãe. Não quero perdê-la.
E depositando um beijo na testa da mãe, acrescentou:
-Tenho a sensação D. Maria, que a senhora vai ter a nora que há tanto tempo pede.
Um sorriso rompeu no rosto materno, como raio de sol em dia de chuva. Ela ergueu a mão, e acariciou-lhe os cabelos, com a mesma ternura com que o fazia em criança, quando o filho procurava a sua cumplicidade, nalguma travessura.
- Vai descansar, filho. Já é tarde e tens que levantar cedo. A viagem é longa.
Obedecendo, o jovem levantou-se, e dando um beijo na face enrugada, murmurou:
- Boa noite, mãe. Durma bem.
- Deus te abençoe meu filho. Que os anjos velem o teu sono.
Ao regressar à cozinha, Maria deu-se conta de que não tinham jantado. A mesa continuava posta, esperando a hora que já passara há muito. Encolheu os ombros, apagou a luz e foi-se deitar.
Continua
proxima postagem a 11/11
MAIS UMA VEZ AGRADEÇO, A TODOS OS AMIGOS O CARINHO E PREOCUPAÇÃO COMIGO. A RECUPERAÇÃO DA CIRURGIA, TEM-SE PROCESSADO MAIS OU MENOS BEM, MAS A SAÚDE NÃO TEM ESTADO TÃO BEM COMO EU DESEJARIA.
UM ABRAÇO PARA TODOS, E TENHAM UM BOM FIM DE SEMANA.












32 comentários:
Boa noite, Elvira. E obrigada sempre!
Este teu conto vai ter um final feliz!
O Paulo e a Rita merecem...
As tuas melhoras, amiga!
Um abraço
Estimo que, na sua próxima postagem, possamos ficar a saber que as coisas estão a melhorar.
De todas as maneiras, o tempo é o grande obreiro de tudo.
Tenha coragem e calma.
Desejo-lhe um óptimo fim de semana.
Beijoca
Espero o final feliz que o Paulo merece. Excelente conto. Passamos por uma encruzilhada de sentimentos mas, pouco a pouco, vamos, creio, desvendando o fim. Que assim seja!
Mil beijinhos
Bom fim de semana! Um forte febrão, aliado ao resto, deitaram-me mais um pouco por terra mas a família está excelente. Graças a Deus.
primeiro desejo que essa saúde se restabeleça como deve ser, o inverno está à porta e há que haver energia e saúde para o nefrenter...
o paulo, que bom!, está feliz e a sua mãe também, pois claro!
agora é procurar a rita e, talvez, conduzi-la para a sua família...
boa sorte, paulo!
beijinhos
Olá Elvira,
a história está a ficar encantadora... espero um final mto feliz...
O final da sua cirurgia tb será assim, tenha calma e paciência e num instantinho tudo passará...
Beijinhos e bom fim de semana
Orlanda
E lá vai ao Paulo buscar a Rita. Só espero que a encontre, que com vidas trocadas, vá-se lá saber...
Elvira, não anda a abusar, pois não? Gosto muito das suas visitas, mas que isso não implique que demore mais tempo a ficar boa!
Beijinho grande
Querida Elvira,
Teu conto como sempre, segue muito interessante.
Que tua saúde volte a ficar bem e o que mais importa. Será que estás decansando o suficiente?
Mesmo escrever, talvez pudesse ficar para depois. Enfim, cuida-te amiga.
Bom fim de semana.
Boa noite Elvira. Seguiu mail.
Boa noite, Elvira
Lamento que nem tudo esteja a correr tão bem como seria de desejar. Mas é tudo muito recente...é preciso dar tempo ao tempo.
Confia, vais ficar boa mais depressa do que pensas!
Continuo a seguir a história do Paulo. Esperemos que termine bem.
Beijinhos, querida, e uma noite descansada e repousante.
Mariazita
Tocante esta conversa, Elvira!
Mas tudo no final acaba bem.
E tu, como estás? Espero que bem mesmo!
Fica registrado aqui o meu beijinho e minhas desculpas pela demora em vir.
Cuide-se!
Elvira,
Que a saúde se recomponha, desejo.
Um bom domingo.
Abraço
Saúde é como criação.
Cuide-se.
Melhoras!
Beijos, flor.
Desejo melhoras, querida Elvira.
Um grande abraço.
Vim deixar-te um abraço apertado, aquele que tanto mereces, um beijinho, porque eu sou de beijinhos, e desejar que a perna esteja a melhorar à força toda. Eu estou um pouco melhor mas, como compreendes, nem tudo depende de mim.
Se assim fosse!
Deixo-te a minha amizade embrulhada na minha dália preferida.
Bem-hajas!
... e vinha eu, aqui, toda lançado a dissertar sobre o enredo e não é que se me ficaram os olhos no prato?! É que vou, agorinha mesmo, comer igualzinho!...
abraços!
Querida Elvira:
Vim hoje por a leitura em dia. Análises trocadas... porque não me lembrei eu disso... espero que o Paulo reencontre a Rita.
Beijos
OLÁ ELVIRA
É BOM SABER QUE A RECUPERAÇÃO DA CIRURGIA, TEM-SE PROCESSADO MAIS OU MENOS BEM...isso é bom!!!
Mas...
e há sempre um MAS nas nossas vidas...
MAS A SAÚDE NÃO TEM ESTADO TÃO BEM COMO DESEJARIAS.
Também eu estou de molho, febre, arrepios de frio...huuummmm, adivinho o que vem por aí.
Hoje o meu post tem a ver com um mail que me enviaste e, ao fim de vários meses com a minha auto-estima abaixo de zero...adorei ler o que Paulo Coelho escreve.
BOM DOMINGO.
Beijinhos.
Olá Elvira,
Espero que tudo esteja bem contigo. Que a tua saude melhore.
Enfim... tudo de bom!!
Esta historia está encantadora.
Beijinhos
Olá querida Amiga Elvira, o teu conto está magnífico... Fico á espera do proxímo episódio... Continua a esperar que a tua recuperação se faça naturalmente... Bom Domingo!
Beijinhos de carinhoe ternura,
Fernandinha
Estou pedindo a Deus para que voce fique ótima de saúde logo, acompanho o conto aliviada e espero que o Paulo declare-se a Rita e que ela entenda e o desculpe também.
Beijinho fica com Deus!
LINDA E mADURA Elvira!
Saúde e paz!
Será que vai ser tudo assim tão fácil e mples para o Paulo?
Hummm! custa-me um bocadinho a acreditar.
Provavelmente ainda lhe vai acontecer alguma...
Bjs
Elvira
Vim por a leitura em dia e fiquei satisfeita por tudo se encaminhar para um final feliz.
Cuide de si! Boas e rápidas melhoras!
bjinhos
Esperança
Vim te chamar pra irmos juntas na Dina.
Olá
Desejo que esteja tudo a correr bem! As suas melhoras e felicidades!
Gosto de ler o que escreve.
Muitos beijos estrelados
Desejo as suas melhoras possíveis.
Não sabia que tinha sido operada.
Tudo corra pelo melhor.
Abraço
Manuela
Elvira
Passei só para deixar um abraço e votos de continuação de melhoras.
Até amanhã.
Beijinhos
Mariazita
Elvira querida, vim aqui te pedir para vc fazer uma pequena pausa no vidas trocas, nesse seu conto maravilhoso, eu sei. Mas gostaria muito que vc copiasse aquele seu comentario e o transformasse em um post por aqui. Minha linda que depoimento este seu. Quem sabe alguém ao lê-lo vai se identificar e dividir conosco asa suas dúvidas.
Grande beijo e obrigada, pense com carinho no meu pedido.
Elvira. Espero o final feliz para este conto.Muita saúde e melhoras,e uma flor pela visita e palavras.
abraço
Lá voltei eu a ler dois episódios de uma penada, mas isto já vem sendo um hábito, mas valeu a pena porque as coisas estão a melhorar.
Por falar em melhoras, é o que eu te desejo.
Cumps
Deixo um beijinho virtual, minha fofinha querida...
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