jardim de Castelo brancofoto da net
Acordou na manhã seguinte com o delicioso aroma do café invadindo-lhe o quarto. Enquanto se dirigia para o duche, os acontecimentos da noite anterior, desfilaram na sua mente, como fita em tela de cinema. Adormecera tarde e tinha a sensação de pouco ter dormido.
Deixou que a água resvalasse pelo seu corpo, como se fosse uma carícia revigorante. Depois, com o corpo envolto na toalha, iniciou o escanhoamento do rosto. Enquanto o fazia a imagem de Rita pareceu sair dos seus pensamentos, e apareceu reflectida ao lado da sua, no espelho. Fechou os olhos e imediatamente soltou um queixume. Acabara de se cortar...
Na cozinha, Maria acabara de barrar as torradas. O filho deveria estar a entrar para o pequeno-almoço. Se bem o conhecia, não devia ter dormido grande coisa. Nunca em 28 anos vira o filho apaixonado. Namoricos, quando andava na escola, sim. Tivera muitos. Era um catavento, muito mais interessado nos rabos de saias, do que nos estudos. Depois subitamente acalmou, e nunca mais o viu interessado em ninguém. Até à noite anterior. Aí, percebera, mais pelo seu tom de voz do que pelas palavras pronunciadas que o seu menino deixara de o ser, e era agora um homem profundamente apaixonado. Tentou imaginar como seria aquela Rita. Seria uma boa pessoa? Seria capaz de fazer o filho feliz? Não parecia dar muito crédito aos elogios do filho. Tinha idade e experiência suficiente para saber que um homem apaixonado fica cego para tudo, menos para aquilo que ele próprio idealiza.
- Bom dia, mãe. Hum que cheirinho delicioso - disse curvando-se para a beijar.
- Meu ou do pequeno-almoço? - questionou ela rindo.
- Os dois, mãe, os dois - respondeu rindo também.
Ela sentiu-se feliz. Era bom ver de novo a alegria do filho. E foi com um sorriso que agitou a mão numa despedida uma hora mais tarde, quando o carro desapareceu na curva da estrada.
Paulo não era homem de velocidades. Por isso não acelerou mais do que o costume. Mas fez a viagem de seguida, não parando uma única vez, nem quando passou pela casa da tia Palmira. Tinha pressa de ver Rita. Queria contar-lhe o porquê do seu comportamento, dizer-lhe quanto a amava, e pedir-lhe que aceitasse compartilhar o seu futuro, porque ele não acreditava no futuro sem ela. Estacionou no parque do hotel, e dirigiu-se à recepção:
- Queria falar com a menina Rita Sequeira. Por favor, podia avisá-la?
- Lamento. A menina Rita e a família já não estão neste hotel.
- Como assim? - perguntou empalidecendo. -Disseram-me que estariam cá até Domingo...
- Parece que anteciparam a partida. Ontem à tarde veio o pai, e esta manhã partiram os quatro.
Paulo sentiu que o mundo ruía à sua volta. Sentiu-se tão mal, que o empregado perguntou:
- Quer um copo de água?
- Não obrigada. Chamo-me Paulo Medeiros. A menina Rita não deixou nenhum recado para mim?
- Comigo não. Mas se esperar um pouquinho eu vejo com o meu colega.
Pouco depois estava de volta com um envelope na mão. Reacendeu-se a esperança no coração do jovem.
- A menina Rita deixou este envelope para si.
- Obrigado.
Dirigiu-se a passos largos para o carro. Aí chegado hesitou. Abria ou não o envelope imediatamente? Seria uma despedida? Um contacto? Só havia uma maneira de o descobrir.
Com mãos trémulas, abriu o envelope e retirou de dentro uma folha perfumada. Cada vez mais ansioso, percorreu o olhar pelo papel. Tinha pouca coisa escrita. Apenas o nome dela, e uma morada em Castelo Branco. Mas para ele aquilo era a mais bela mensagem de amor que podia receber. Era a prova de que Rita esperava e desejava que ele a procurasse. Iria almoçar, descansar um pouco e depois retomaria a viagem em sentido contrário, desta vez até Castelo Branco.
O sol aquecia o seu corpo e a felicidade o seu coração. Tinha a certeza de que Rita ia aceitar, ser a rainha da sua vida...
Fim
Deixou que a água resvalasse pelo seu corpo, como se fosse uma carícia revigorante. Depois, com o corpo envolto na toalha, iniciou o escanhoamento do rosto. Enquanto o fazia a imagem de Rita pareceu sair dos seus pensamentos, e apareceu reflectida ao lado da sua, no espelho. Fechou os olhos e imediatamente soltou um queixume. Acabara de se cortar...
Na cozinha, Maria acabara de barrar as torradas. O filho deveria estar a entrar para o pequeno-almoço. Se bem o conhecia, não devia ter dormido grande coisa. Nunca em 28 anos vira o filho apaixonado. Namoricos, quando andava na escola, sim. Tivera muitos. Era um catavento, muito mais interessado nos rabos de saias, do que nos estudos. Depois subitamente acalmou, e nunca mais o viu interessado em ninguém. Até à noite anterior. Aí, percebera, mais pelo seu tom de voz do que pelas palavras pronunciadas que o seu menino deixara de o ser, e era agora um homem profundamente apaixonado. Tentou imaginar como seria aquela Rita. Seria uma boa pessoa? Seria capaz de fazer o filho feliz? Não parecia dar muito crédito aos elogios do filho. Tinha idade e experiência suficiente para saber que um homem apaixonado fica cego para tudo, menos para aquilo que ele próprio idealiza.
- Bom dia, mãe. Hum que cheirinho delicioso - disse curvando-se para a beijar.
- Meu ou do pequeno-almoço? - questionou ela rindo.
- Os dois, mãe, os dois - respondeu rindo também.
Ela sentiu-se feliz. Era bom ver de novo a alegria do filho. E foi com um sorriso que agitou a mão numa despedida uma hora mais tarde, quando o carro desapareceu na curva da estrada.
Paulo não era homem de velocidades. Por isso não acelerou mais do que o costume. Mas fez a viagem de seguida, não parando uma única vez, nem quando passou pela casa da tia Palmira. Tinha pressa de ver Rita. Queria contar-lhe o porquê do seu comportamento, dizer-lhe quanto a amava, e pedir-lhe que aceitasse compartilhar o seu futuro, porque ele não acreditava no futuro sem ela. Estacionou no parque do hotel, e dirigiu-se à recepção:
- Queria falar com a menina Rita Sequeira. Por favor, podia avisá-la?
- Lamento. A menina Rita e a família já não estão neste hotel.
- Como assim? - perguntou empalidecendo. -Disseram-me que estariam cá até Domingo...
- Parece que anteciparam a partida. Ontem à tarde veio o pai, e esta manhã partiram os quatro.
Paulo sentiu que o mundo ruía à sua volta. Sentiu-se tão mal, que o empregado perguntou:
- Quer um copo de água?
- Não obrigada. Chamo-me Paulo Medeiros. A menina Rita não deixou nenhum recado para mim?
- Comigo não. Mas se esperar um pouquinho eu vejo com o meu colega.
Pouco depois estava de volta com um envelope na mão. Reacendeu-se a esperança no coração do jovem.
- A menina Rita deixou este envelope para si.
- Obrigado.
Dirigiu-se a passos largos para o carro. Aí chegado hesitou. Abria ou não o envelope imediatamente? Seria uma despedida? Um contacto? Só havia uma maneira de o descobrir.
Com mãos trémulas, abriu o envelope e retirou de dentro uma folha perfumada. Cada vez mais ansioso, percorreu o olhar pelo papel. Tinha pouca coisa escrita. Apenas o nome dela, e uma morada em Castelo Branco. Mas para ele aquilo era a mais bela mensagem de amor que podia receber. Era a prova de que Rita esperava e desejava que ele a procurasse. Iria almoçar, descansar um pouco e depois retomaria a viagem em sentido contrário, desta vez até Castelo Branco.
O sol aquecia o seu corpo e a felicidade o seu coração. Tinha a certeza de que Rita ia aceitar, ser a rainha da sua vida...
Fim
ESTE CONTO CHEGOU AO FIM. ESPERO QUE A SUA LEITURA VOS TENHA AGRADADO. HÁ UNS EPISÓDIOS ATRÁS, QUANDO O MÉDICO DISSE QUE TINHA HAVIDO UMA TROCA DE ANÁLISES, ALGUNS DE VÓS, APESAR DE GOSTAREM DE SABER QUE O PAULO NÃO TINHA NADA, REPARARAM E COMENTARAM QUE AFINAL SEMPRE TINHA MORRIDO UM JOVEM. POIS A ESSE JOVEM, UM AMIGO, QUE EM AGOSTO PERDEU A LUTA CONTRA A DOENÇA, E EMPREENDEU A VIAGEM FINAL, EU DEDICO ESTE CONTO.












32 comentários:
olá Elvira
mais um bonito conto e uma bonita homenagem a esse amigo
espero que a sua recuperação esteja a correr tão bem como deseja
quando é o próximo conto?
pois eu aguardo com ansiedade
beijinhos do tamanho do Mundo
E este chegou ao fim. Só não se vê o beijo final...
Obrigada por mais este conto, Elvira.
Continuação das tuas melhoras.
Um abraço
Elvira, que lindo!!!
Acompanhei a escrita, não desde o princípio, mas penso que ainda agarrei o fio à meada a tempo de perceber que há aqui muito conteúdo de muita qualidade que só ter um destino: transformar-se em livro!!! Parabéns, Elvira!!!
Muitos beijinhos e bom S. Martinho!!!
Amiga Elvira
Mais um! Irei lê-lo logo após ter concluído a leitura do anterior.
Um grande abraço e espero já esteja bem melhor
Uma boa semana
António
Não li com assiduidade este conto, no entanto estou certo da mesma qualidade do anterior. A Elvira tem o condão da perseverança, da qualidade que impõe na escrita, na abordagem aos temas sociais, no incentivo que faz a todos os outros para que continuem.
Essa é sempre uma lição que está presente, acredito que na sua vida também tem lutado contra as adversidades dando exemplo aos que à sua volta podem ir esmorecendo.
Um bem haja para si e continue dando bons exemplos, e que a saúde não lhe falte.
Abraço
Chegou ao fim! será que ja está outro na calha??
um abraço
ps: ainda não deixei aqui os meus Parabéns! pela vitoria do seu clube, pois não???
PARABéNSSSSSSSSS!!!
(um pouco atrasados)
Elvira, adorei a estoria. Estive ausente 12 dias sem internet, mas agora ja esta tudo bem. Tem post novo. Bj
um conto com um final feliz! que bom a rita ter correspondido à paixão do paulo...
linda a tua homenagem ao rapaz que perdeu, que se ficou no caminho do seu percurso de vida
continuação das tuas melhoras, elvira
beijinhos
Olá querida Elvira, e o conto chegou ao fim... Tenho pena que tenha acabado, mas acabou da melhor forma... Como já disse anteriormente e mantenho, tu escreves prosa como ninguém... Quando estiveres melhor espero começar a ler outro conto... Parabéns Amiga!!!
Beijinhos de carinho e ternura,
Fernandinha
Uma boa noite de S.Martinho.Beijinhos amiga.S.A
Pois é: gostei do teu conto, das tuas palavras, do teu contar. Gostei. Mas, confesso, gostei de forma diferente, especial, quente, tudo o que, afinal, se descobriu que (não) estava escrito pelo meio de cada uma das tuas palavras. Aí estave, sem dúvida, a tua alma!...
Parabéns, amiga! Grato.
abraços!
A alegria do final feliz ficou ensombrada com o infortúnio do seu amigo, mas por outro lado, que bela homenagem!
Bjs
Boa noite Elvira.
Fico feliz por saber que está a recuperar bem e, desejo que esteja totalmente recuperada em breve.
A minha falta de tempo não me permitiu ler os seus lindos contos.
Bonita homenagem ao seu amigo.
Eu conheço este jardim de Castelo Branco e devo dizer que é maravilhoso
Tudo de bom.
Beijocas
Amiga Elvira,
fiquei encantada com este conto e com a sua homegame ao amigo que nunca esquecerá...
Espero ouvir que está a recuperar mto bem e a pensar num p´roximo conto...
Beijinhos
Orlanda
Amiga Elvira, un bonito final y un bonito homenage.
Cuidate mucho. Un Abrazo. A.Cris
Gosto de contos com um final feliz.
Para desgraças já bastam as da vida, como aquela que aconteceu com o amigo a quem, de forma tão bonita, decidiu dedicar este conto.
Parabéns.
Um abraço e boa saúde.
Mais um conto que nos relatou tão bem. Lamento é que tenha sido real a parte do falecimento de um jovem...
Quanto à Elvira, continue a escrever assim e a recuperar a bom ritmo, sim?
Beijinhos.
Querida Elvira,
Teu conto é realmente digno de um livro. E que bonito o teres dedicado a teu amigo.
Umforte abraço.
Gostei muito da conclusão que deste a este teu conto. Uma troca de análises, trouxe-lhe o desespero mas abriu-lhe as portas do amor.
Espero outro conto. Não para já porque eles levam algum tempo a fazer mas não desistas. Da persistência, do trabalho continuado resultam as grandes obras.Força, Elvira!
Desculpa este atraso. Só hoje, me lembrei do conto. A tua amiga tem destas ausências.Desculpa.
Mil beijinhos com muita amizade
Oi Elvira
Pois acho que não acompanhaste os posts anteriores, onde falo da interrupção da minha gravidez. Tive um aborto natural..foi difícil, mas agora já está tudo bem.Bjs
Gostei do teu conto.
Dominas muito bem esta técnica, sabes gerir o suspense e a narrativa é muito agradável de ler.
Espero que já estejas totalmente recuperada ou que, pelo menos, já te sintas muito melhor.
Beijinhos.
Vim deixar-te um abraço apertado e um beijinho.
Bem-hajas, amiga!
Parabéns!
E que esse jovem que partiu, tal com a jovem que anteontem foi cremada por também ter sido vencida pela doença, tenha Luz e Paz!
Abraço-a, amiga.
Elvira. O conto chegou ao fim,e se abriu as portas ao amor, aquem dedicas-te em homenagem,não consegiu um final feliz,como tantos outros,o que se lamenta quando se é jovem pior.
Elvira melhoras estimo.Abraço e bfs
Elvira
Ainda bem que tudo terminou em bem.
Sei o que é perder um amigo e por isso tocou-me esta parte final da mensagem.
Beijos (já estás recuperada?)
Elvira como vai essa recuperação?
E quando é editado o livro?
Bjs
Olá!
Amiga não segui com a devida atenção o seu conto ;=( mas o que li adorei...
Está melhor???
Beijocas
Bom fim de semana
Gostei bastante e acho que acabou com um foto linda.
Até fiquei com vontade de ir lá ver ao vivo.
Amiga, confesso que ao ler a palavra FIM soltei um suspiro de alívio!
Estava com receio que à última hora ainda acontecesse algum desencontro. Felizmente terminou bem
É um belo conto, e "a cereja em cima do bolo" é a homenagem que fazes a esse teu amigo. Um gesto digno de louvor.
Muito bonita a foto do jardim de Castelo Branco. Estive lá em Outubro do ano passado.
Votos de que a tua recuperação esteja a decorrer da melhor maneira.
Bom fim de semana.
Beijinhos
Mariazita
Elvira
Mais um bonito conto com um velado final feliz. Bela homenagem ao seu amigo.
bjinhos
Esperança
Lindo conto e linda homenagem!
Já estou a espera do próximo!
Beijinhos
Linda
Querida Elvira, vim para saber como está a correr a sua recuperação e vejo que aos poucos está a recuperar. Espero que fique bem depressa.
Vim também para continuar a ler o conto, que me estava a prender a atenção. Finalmente consegui ler o resto e fico contente com esta reviravolta e final feliz.
Parabéns pela bela homenagem que faz ao seu amigo! Lindo gesto.
Parabéns pela sua escrita cativante e emocionante!
Muitas estrelinhas cintilantes lhe deixo com muito carinho, paz e alegria.
Continuação de boa recuperação!
Beijinhos e abracinho.
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